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	<title>Câmara de Cultura &#187; Notícia</title>
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	<description>Cultura, Cidadania e Meio Ambiente</description>
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		<title>Projeto Neutralização de Carbono e Desenvolvimento Social é apresentado em Itaguaí, RJ</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2008 01:11:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>

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		<description><![CDATA[A Câmara de Cultura, no dia 03/07, apresentou o projeto “Neutralização de Carbono e Desenvolvimento Social”, em palestra realizada na Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca do município de Itaguaí.
A coordenação do projeto, há quase dois anos, trabalha no desenvolvimento de um projeto de neutralização de carbono em áreas degradadas a serem recuperadas, partindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Câmara de Cultura, no dia 03/07, apresentou o projeto “<em>Neutralização de Carbono e Desenvolvimento Social</em>”, em palestra realizada na Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca do município de Itaguaí.</p>
<p>A coordenação do projeto, há quase dois anos, trabalha no desenvolvimento de um projeto de neutralização de carbono em áreas degradadas a serem recuperadas, partindo do conceito de que as áreas degradadas devem ser foco principal em programas de neutralização de carbono.</p>
<p>Como áreas degradadas prioritárias foram definidas as áreas de preservação permanente (matas ciliares e encostas instáveis) e reservas legais. Sempre que possível será dada prioridade às áreas que possam formar corredores ecológicos.</p>
<p>Em termos simplificados, o projeto foi concebido com alguns conceitos essenciais: Recuperar e revitalizar áreas degradadas; Neutralizar carbono; Gerar emprego e renda; e Ação complementar de segurança alimentar</p>
<p>De acordo com o ambientalista Henrique Cortez, coordenador do portal e do blog Ecodebate, a idéia é simples – a área é “dividida” em mosaico, com 50% para revegetação com árvores nativas da região e 50% com pinhão manso ou outra árvore produtora de biodiesel adequada à área.</p>
<p>A proposta base visa a) Recuperação de áreas degradadas com plantio, em mosaico, de árvores nativas e árvores produtivas (pinhão manso ou palma, para biodiesel, ou seringueira para borracha natural); e b) Utilização das áreas marginais do projeto para hortas comunitárias</p>
<p>Os temas centrais do projeto foram apresentados pelo ambientalista Henrique Cortez, em entrevista. Eis a entrevista:</p>
<p><em>O projeto é semelhante ao que já existe no mercado, oferecido pelas empresas de consultoria ambiental. Qual o diferencial?</em></p>
<p>Henrique Cortez – A metodologia é semelhante, mas o conceito e a lógica do projeto são muito diferentes. A nossa lógica é muito diferente das empresas de consultoria que mercantilizam a neutralização de carbono.</p>
<p>Nosso conceito é essencialmente sócio-ambiental, no qual integramos a neutralização de carbono com a geração de emprego e renda.</p>
<p>O primeiro diferencial é que concebemos o projeto também como instrumento de geração de emprego e renda. Os trabalhadores seriam contratados no entorno e organizados em cooperativa. Eles teriam remuneração, cesta básica, etc, e, quando estivesse em produção, a cooperativa seria remunerada com 50% da receita líquida.</p>
<p>O segundo está no fato de centrarmos a nossa preocupação na recuperação da área degradada com árvores nativas da região combinadas com a produção de biodiesel sem monocultura. É uma variação do conceito de agrofloresta.</p>
<p><em>Em termos ambientais é um modelo de seqüestro de carbono como o MDL?</em></p>
<p>Henrique Cortez &#8211; O mecanismo de desenvolvimento limpo possui uma concepção diferente, embora também seqüestre carbono. No MDL uma empresa “compra” um direito de emissão, tendo em vista a aquisição de certificado de seqüestro de carbono (pelo plantio de árvores, pela redução da emissão de metano em aterros, etc) que a autoriza a emitir uma determinada tonelagem de carbono. É, em certo sentido, um alvará de emissão.</p>
<p>No nosso caso, com neutralização de carbono, a empresa patrocinadora tem uma concepção de responsabilidade muito diferente. Em primeiro lugar ela reconhece a necessidade de reduzir as suas emissões e, enquanto trabalha para isto, neutraliza as suas emissões através do plantio de árvores, sem qualquer subsídio ou benefício fiscal por isto.</p>
<p>Mais do que uma diferença técnica, é uma grande diferença ética. No MDL a empresa mantém as suas emissões e “paga” por este privilégio e, na neutralização de carbono, a empresa resolve reduzir e neutralizar as suas emissões, também “pagando” por isto.</p>
<p>Uma outra diferença é que os projetos comerciais são baseados em monoculturas comerciais, com destaque para o eucalipto. Fazem o reflorestamento, mas não, necessariamente, a recuperação da área.</p>
<p>Nós estamos propondo algo muito diferente e que, ao usar 50% do plantio de árvores nativas da região, também fará a recuperação da área degradada e auxiliará na recuperação das reservas hídricas do entorno.</p>
<p>Nossa prioridade está na recuperação de áreas de preservação permanente e em reservas legais. Na medida do possível, também pretendemos que a recuperação seja realizada em áreas públicas degradadas pela exploração privada ou em assentamentos da reforma agrária, que ainda não estejam com sua capacidade produtiva viabilizada.</p>
<p><em>Por que as áreas públicas ou os assentamentos da reforma agrária?</em></p>
<p>Henrique Cortez – Existem milhares de hectares de áreas públicas que foram utilizadas para fins privados, principalmente em pecuária e depois de degradas foram abandonadas. É a velha história da privatização do lucro com a estatização do prejuízo.</p>
<p>É natural portanto que elas sejam foco de recuperação, principalmente gerando emprego e renda para a população do seu entorno.</p>
<p>No caso dos assentamentos, é importante destacar que muitos foram efetuados em áreas degradadas, tornadas improdutivas pelo uso intensivo e ganancioso. Depois foram abandonados à própria sorte, sem apoio, financiamento, logística ou orientação técnica. Muitos também sofrem com a escassez hídrica em razão do esgotamento da área.</p>
<p>O projeto permitirá a recuperação da área, implantará a produção de biodiesel e, ao mesmo tempo, permitirá que os aqüíferos sejam recuperados e recarregados.</p>
<p>É a essência da nossa concepção, integrar cidadania e meio ambiente.</p>
<p><em>Qual a relação de áreas degradadas com reservas hídricas?</em></p>
<p>Henrique Cortez – Em termos simplificados, a recuperação de uma área degradada não apenas recupera o solo e sua fertilidade, como também recupera o potencial de infiltração da chuva e, por conseqüência, da recarga dos aqüíferos. Utilizando a modelagem de mosaico, também contribui para a sobrevivência de aves nativas, que, por sua vez, atuam na disseminação de sementes, aumentando a área revegetada.</p>
<p>Muitas áreas degradadas tendem à desertificação e a sua recuperação, neste sentido, é mais importante ainda.</p>
<p><em>E a receptividade pelos potenciais patrocinadores?</em></p>
<p>Henrique Cortez – É natural encontrar resistências a qualquer idéia inovadora. Muitas empresas já conhecem o conceito e o método das empresas de serviços ou consultoria, que vendem neutralização de carbono, mas não tem tanta facilidade em compreender um projeto com concepção sócio-ambiental.</p>
<p>Em termos empresariais é sempre mais fácil compreender um projeto comercial, com fins lucrativos, do que um projeto sócio-ambiental sem fins lucrativos. É uma questão de formação e treinamento de seus executivos, que raramente estão qualificados para analisar e compreender uma modelagem completamente diferente de seu cotidiano de negócios.</p>
<p>Mas, como disse antes, defender um projeto sócio-ambiental exige uma enorme dose de perseverança e paciência . Neste caso não será diferente.</p>
<p><em>Mas isto não inviabiliza o projeto e o conceito?</em></p>
<p>Henrique Cortez – Atrasa, mas não inviabiliza. A neutralização de carbono é uma necessidade real, que ganha importância a cada dia, diante do aquecimento global e das mudanças climáticas. Algumas empresas adotarão a neutralização desde agora, outras só diante do caos climático, mas o conceito vai se firmar de um jeito ou do outro.</p>
<p>E se as empresas vão investir na neutralização de carbono, por que não faze-lo em projetos que recuperem áreas degradadas, que reponham árvores nativas, que produzam biocombustíveis e gerem emprego e renda?</p>
<p>Na prática, será uma maneira de diferenciar as empresas com real responsabilidade social e ambiental, das que apenas praticam o marketing verde, sem maiores compromissos ou responsabilidades.</p>
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