“Alice mandou um beijo” estreia dia 13 de fevereiro, sábado, no Espaço Sesc
Companhia residente no pequeno município fluminense de Três Rios, a Cia Cortejo estreia seu novo espetáculo “Alice mandou um beijo”, escrito e dirigido por Rodrigo Portella, dia 13 de fevereiro, sábado, no Mezanino do Espaço Sesc.
Baseada nas memórias de infância do autor e diretor Rodrigo Portella – indicado ao Prêmio Shell-RJ 2013 nas categorias melhor diretor e melhor autor –, “Alice mandou um beijo” mergulha no universo das contradições familiares, criando uma trama onde o eixo central é a reconstrução da memória.
Quando a peça começa Alice já está morta. O público não a conhece pelo que ela é, mas pelo que descrevem dela. Paradoxalmente, Alice está viva dentro da casa. Todos falam dela todo o tempo, vestem suas roupas, executam suas tarefas, tentam assumir o seu lugar. O eixo dramático está nas delicadas decisões dos personagens diante da “ausência” de Alice, uma espécie de representação da coerência familiar. Alice é quem dava sentido àquela convivência. Diante de sua morte, as relações se refazem, se transformam instáveis e até mesmo impossíveis.
Com realização e produção da Cia Cortejo, o espetáculo “Alice mandou um beijo” cumpre temporada de estreia no Mezanino do Espaço Sesc, de 13 de fevereiro a 13 de março de 2016, com ingressos a partir de 5 reais.
O enredo da peça
Apesar de jovem, Jandira, a filha do meio, segura a barra de cuidar de toda a família. Após a morte de Alice, ela tenta manter tudo como antes. Mas aos poucos, as coisas parecem se mover de modo que Jandira perde completamente o controle. Alice parece ter sido durante anos o ponto de equilíbrio daquela família. No passado, após a morte da matriarca, o pai, surdo e senil, sobrevive da troca de mimos com Alice. Robério, o filho autista de Jandira, tinha em Alice a única porta de comunicação com o mundo real. Oneida, a irmã mais velha, que sempre alimentou um ressentimento em relação à preferência do pai pela caçula, resolve investir em Osvaldo, o cunhado viúvo. Seu desejo é vender a casa e ir embora com ele pra uma cidade maior. Isso afeta terrivelmente Jandira, que além de ter mantido a vida inteira um amor platônico por Osvaldo, se vê agora diante da possibilidade de ficar sozinha cuidando de seu pai e de Robério, o filho a quem ela se dedica com muito pouca habilidade.
A respeito da dramaturgia, Rodrigo Portella comenta: “Quando eu era criança, minha mãe era só a minha mãe. Toda aquela família encharcada de tios e primos de variados graus pareciam, aos meus olhos, tipos bem definidos: o tio bonachão, o primo esperto, a avó mais ou menos afetuosa, o pai que me roubava a mãe às madrugadas, o irmão meu avesso, o padrinho e seus extraordinários presentes de aniversário, a prima a quem todos os primos fingiam namorar… Tudo parecia estável, eterno, definitivo. Só mais tarde, bem mais tarde mesmo, fui perceber que aquelas pessoas eram muito mais complexas. Me dei conta que o que eu enxergava antes era só uma pontinha de um volumoso e assustador iceberg. “Alice Mandou um Beijo” é um resgate ficcional das minhas memórias de infância. Acredito, que só agora, aos 38 anos, é que começo a entender que o sentido de HUMANIDADE está potencialmente relacionado à palavra CONTRADIÇÃO.”
Em Três Rios, Rodrigo Portella mantém a sede da Cia Cortejo
Nascido e criado no pequeno município fluminense de Três Rios, o autor e diretor Rodrigo Portella dirigiu 20 espetáculos, recebeu mais de 150 prêmios em festivais de teatro nacionais e internacionais, teve duas indicações ao Prêmio Shell-RJ 2013, Melhor Direção por “Uma história Oficial” e Melhor Texto por “Antes da chuva”, além de ser indicado ao Prêmio APTR 2010 pela iluminação de “Na solidão dos campos de algodão” de Caco Ciocler. Entre 1996 e 2008, morou na Cidade do Rio de Janeiro, período em que cursou Direção Teatral na UNIRIO, publicou o livro “Trilogia do Cárcere” e dirigiu boa parte de seus espetáculos. Em 2010, decide retornar para a sua cidade natal, onde fundou a Cia Cortejo. Paradoxalmente, é esse retorno que impulsiona com mais força sua carreira. É também diretor do “Off Rio – Multifestival de Teatro de Três Rios”, esse ano em sua 5ª edição.
– Meu principal interesse quando resolvi voltar, era reunir profissionais de teatro interessados em desenvolver um processo de pesquisa e produção cênica fora do eixo das grandes capitais. Montamos um ponto de cultura focado no processo de formação de atores e técnicos, criamos o Festival no sentido de promover intercâmbios e formamos uma pequena equipe de produção capaz de viabilizar financeiramente os projetos artísticos. – comenta o diretor da companhia que mantém há 5 anos sua sede administrativa e criativa no interior do Rio.
A Cia Cortejo se destaca hoje no cenário teatral do país, principalmente, pela forte afirmação como grupo de teatro profissional do interior e pelo interesse em suas raízes como ponto de partida para seus projetos. Desde o primeiro espetáculo tem investido em dramaturgias autorais desenvolvidas com a colaboração dos seus integrantes e a partir de suas referencias artísticas e pessoais. O primeiro espetáculo, “Uma história oficial”, de 2012, fez duas temporadas no Rio. O segundo, “Antes da chuva”, de 2013, estreou no Espaço Sesc, em Copacabana, teve passagem pelos maiores festivais de teatro do país, se apresentou em 96 cidades brasileiras, no Equador, na Argentina e em 2015 circulou pelo Projeto Palco Giratório do Sesc. Ambos os espetáculos foram indicados ao Prêmio Shell-RJ 2013 nas categorias melhor diretor e melhor autor, respectivamente.
Ficha técnica
Texto e direção: Rodrigo Portella
Co-direção: Leo Marvet
Elenco: Bruna Portella, Jose Eduardo Arcuri, Luan Vieira, Tairone Vale e Vivian Sobrino.
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Daniele Geammal
Cenografia: Raymundo Pesine
Projeto Gráfico: Raul Taborda
Fotos de Divulgação: Renato Mangolin
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Produção e Realização: Cia Cortejo
Serviço
Sinopse: A ausência de Alice acaba por disparar uma série de acontecimentos que revelam a fragilidade das relações de uma família.
Local: Espaço Sesc (Mezanino) – Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana, Rio de Janeiro. Tel. 21 2548-1088
Estreia: 13 de fevereiro, sábado, às 21h
Temporada: 13 de fevereiro a 13 de março. Quinta a sábado às 21h. Domingo às 20h.
Valor do ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 5 (associado Sesc)
Classificação Indicativa: 16 anos
Duração: 75 minutos
Gênero: Drama
Atendimento à imprensa
Ney Motta | contemporânea comunicação
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