Livro Vida e Saberes


Com a visão da necessidade de documentar e registrar as histórias de vida, o conhecimento e o rosto destas mulheres, o Projeto Especial ‘Vidas e SaberesO Conhecimento Tradicional no Cerrado’, realizará uma expedição no Cerrado (no leste de Tocantins e oeste da Bahia) para entrevistar dez (10) mulheres detentoras do conhecimento tradicional, que, simbolicamente, representarão as inúmeras mulheres, atualmente invisíveis, que também detém os conhecimentos tradicionais.

O projeto foi idealizado e será realizado pelo jornalista Henrique Cortez, editor da revista (impressa) Cidadania & Meio Ambiente e da revista eletrônica EcoDebate ( www.ecodebate.com.br ). O jornalista também é fotógrafo, tendo realizado o foto documentário ‘Fome de Água’, com exposição realizada no Centro Cultural dos Correios, em janeiro/fevereiro de 2004.

As entrevistas, que documentarão a formação dos conhecimentos (os saberes) serão editadas para uma publicação, sob forma de livro, com o título do projeto ‘Vidas e Saberes – O Conhecimento Tradicional no Cerrado’, além do registro do áudio das entrevistas em podcast e os vídeos em canal do Youtube.

A tiragem será de 2 mil exemplares, para um mailing especial, selecionado para o maior impacto institucional positivo, que, alcançando bibliotecas públicas, órgãos governamentais, universidades, centros de documentação, etc., contribuirá com a preservação do conhecimento e de respeito às populações tradicionais.

Patrimônio genético é qualquer informação de origem genética contida em espécime vegetal, fúngico, microbiano ou animal, na forma de moléculas e substâncias provenientes do metabolismo destes seres vivos ou de extratos obtidos deles. Conhecimento tradicional associado é a informação ou a prática de comunidade indígena ou local que tenha relação com esse patrimônio genético. Ou seja, um medicamento produzido por um povo indígena ou uma comunidade quilombola a partir do extrato de plantas é um conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético. Mas qual a relevância desse conhecimento?

Em primeiro lugar, há ligação direta com a sobrevivência de comunidades locais e populações indígenas. Além do uso para subsistência, muitas delas têm nos recursos biológicos sua fonte de renda – caso, por exemplo, da comunidade quilombola do Cedro, que possui um laboratório de plantas medicinais amplamente reconhecido.

Um dos problemas é que há dificuldade para a viabilização econômica de iniciativas desse tipo. A legislação atual não prevê regras específicas, isto é, as comunidades tradicionais são submetidas às mesmas leis aplicadas a grandes laboratórios farmacêuticos e de cosméticos. “Temos uma vigilância sanitária que cria obstáculos por não reconhecer esses conhecimentos como válidos, como importantes”, explica o procurador da República Wilson Rocha Assis, membro do Grupo de Trabalho Conhecimentos Tradicionais, vinculado à 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF (populações indígenas e comunidades tradicionais). “As comunidades acabam não dando conta de colocar seus produtos no mercado e se veem obrigadas a vender o conhecimento a empresas com infraestrutura para dialogar com o poder público”, complementa, adiantando outro ponto da discussão proposta para os dias 11 e 12: a repartição equitativa dos benefícios comerciais derivados da utilização do conhecimento tradicional. Há inúmeros casos de recursos genéticos, de países em desenvolvimento, acessados sem consentimento e transformados em direitos proprietários nos países industrializados, que passam a vendê-los aos próprios detentores originais dos materiais biológicos.

Promoção: Câmara de Cultura       –    http://camaradecultura.org/livro-vidas-e-saberes/

Campanha de Patrocínio:

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