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Uma pesquisa realizada em dez países sugere que o acesso a água potável e sabão pode contribuir para o crescimento das crianças.


Água potável pode fazer diferença em crescimento

Água potável pode fazer diferença em crescimento

A análise de dados coletados encontrou evidências de um pequeno aumento, de cerca de meio centímetro, na altura de crianças com menos de cinco anos de idade que vivem em casas com um bom sistema de saneamento.

Os dados foram coletados em Bangladesh, Etiópia, Nigéria, Chile, Guatemala, Paquistão, Nepal, África do Sul, Quênia e Camboja.

As informações reunidos a partir de 14 estudos envolvendo cerca de 10 mil crianças foram publicadas em um relatório conhecido como Análise Cochrane, liderado pela London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) junto com a organização de caridade internacional especializada em água potável WaterAid.

Alan Dangour, nutricionista especializado em saúde pública da LSHTM, que liderou a elaboração do relatório, destaca que o fornecimento de água potável, saneamento e higiene é uma forma eficaz de reduzir mortes de crianças por problemas como diarreia.

Segundo Dangour, a análise sugeriu pela primeira vez que mais acesso a estes serviços também pode ter um impacto pequeno, porém importante, no crescimento de crianças.

“O que descobrimos ao juntar todas as provas pela primeira vez é que existe uma sugestão de que estas intervenções melhoram o crescimento de crianças, e isso é muito importante”, disse o nutricionista à BBC.

Doenças repetidas

Dangour acrescenta que há uma ligação clara entre uma criança bebendo água suja, a ocorrência de diarreia e o crescimento abaixo do normal, pois doenças que ocorrem várias vezes no começo da infância podem prejudicar o crescimento.

“Faz todo o sentido existir uma ligação entre a água contaminada, diarreia e crescimento, mas o interessante é que isso (a ligação) nunca tinha sido mostrado antes”, afirmou.

“Meio centímetro não parece ser muito, mas nossa estimativa é de que o aumento no crescimento é equivalente a uma redução de cerca de 15% na baixa estatura, o que é bem importante”, acrescentou.

“A análise mostra que uma abordagem múltipla (do problema) é o jeito certo, unindo ações para melhorar a qualidade dos alimentos e a segurança, e também a alimentação e cuidados com as crianças, com outras (medidas) para evitar e tratar infecções e melhorar o ambiente em casa e conseguir tratar o flagelo da desnutrição”, afirmou Francesco Branca, diretor de nutrição para saúde e desenvolvimento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a OMS, o crescimento abaixo do esperado afeta 165 milhões de crianças no mundo todo, aumentando o risco de morte e reduzindo a produtividade quando as crianças chegam à idade adulta.

A desnutrição é a causa de 3,1 milhões de mortes por ano, cerca de metade destas mortes atingem crianças com menos de cinco anos.

Fonte: BBC News

Matéria de Helen Briggs