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Arrogância velada, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Tem gente que ocupa cargos de imensa responsabilidade, precisa controlar o trabalho de cem, talvez mil pessoas, mas não sabe gerenciar suas próprias emoções e ações. Fica perdido e age como criança em pequenas situações… Então, refleti sobre um sentimento inerente a todos nós, seres humanos, que é a arrogância. Algumas pessoas são mais arrogantes, outras menos, umas demonstram mais, outras conseguem se conter. Respeitados os níveis, todos temos.

Algumas pessoas verdadeiramente acreditam ser melhores que outras. Incrível! Quantas vezes em nossas vidas presenciamos shows de soberba: “Sabe com quem você falando?”, “Fulano não é bom o bastante para minha filha”, “Aquela garota é suburbana, não tem instrução, não sabe se vestir, não é culta como eu…”, “Qual cargo você ocupa?”. E por aí vai…

Mas tem a arrogância velada. Aquela que achamos que não temos, porque, afinal, somos bacanas demais para tais sentimentos. Ouvindo mais uma linda composição de Chico Buarque percebi em mim uma dessas arrogâncias… A música é “Essa Pequena” e diz o seguinte:

Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela…

…Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas ao vento, ai…

A arrogância sobre a qual a música me fez refletir é a da juventude. Na verdade, a arrogância de pensarmos que por sermos jovens somos eternos… Já me peguei dizendo coisas como: não tenho medo da morte. E um amigo me disse: “quando você tiver mais de 60 anos, vai ter”.

A questão não é ficar preventivamente pensando em coisas ruins, isso não nos leva a lugar algum. A soberba, ao menos acho, está em pensar que por sermos jovens podemos desperdiçar tempo; que por sermos jovens não precisamos ser avarentos com a qualidade dos nossos minutos; que por sermos jovens podemos esbanjar horas ao vento. Só Deus sabe quantas horas temos…

O tempo que todos nós temos — jovens, velhos, crianças — é o do agora. Ser jovens não nos faz melhor, ao contrário, falta a tal da experiência… Por isso é importante fazer boas escolhas hoje, não deixar para amanhã. Estar ao lado de quem se ama, visitar lugares que nos despertem interesse, buscar situações que nos tragam alegria, melhorar a qualidade do nosso tempo… Hoje!

É claro que existem situações que não nos permitem escolha, mas em todas as outras que nos cabe, é bom, sim, ter cuidado e paciência para buscar o melhor, o que nos faz bem, seja no amor, no trabalho, na escolha de amigos. Eliminar do nosso convívio palavras, situações e pessoas desnecessárias, a começar pelos tiranos a que me referi no início do texto. E, quanto ao restante, talvez a grande sacada seja aprender e obter o melhor de todas as experiências: daqueles que têm cabelos cinza ou cor de abóbora, dos ricos e pobres, das relações breves ou longas… E procurar viver bem, ser feliz, tentar eliminar todos os tipos de arrogância, inclusive as veladas.

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários. 

A boa música se basta, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

“A linguagem musical me basta”. Essa é a frase que encerra o documentário A música segundo Tom Jobim, do veterano cineasta Nelson Pereira dos Santos e da neta do compositor, Dora Jobim, que fui assistir há cerca de duas semanas.

Sempre fui uma tremenda fã de Tom Jobim, principalmente porque sua música me causa um prazer nostálgico de tempos que não vivi. E foi imbuída desse sentimento que assisti à projeção desse documentário cuja única narrativa é a música: nada de locução, entrevistas, tampouco informações biográficas, apenas o caminho sensorial de imagens e sons. Mas que não são quaisquer imagens e sons, e sim uma belíssima montagem de grandes momentos da música brasileira, shows realizados, parcerias formadas e um retrato muito belo de uma época de inocência e poesia.

Cantei, chorei, meu coração acelerou, porque a música me toca. E assim como ela bastava a Tom Jobim, me bastou naquele momento. Não senti necessidade de maiores explicações, apenas mergulhei na narrativa musical do documentário. Percebi a magia dessa narrativa que se basta.

As artes têm esse poder… E o valor artístico de um documentário baseado no trabalho de quem é considerado o maior expoente de todos os tempos da música brasileira, como Tom Jobim, e fruto da ousadia de um dos mais importantes cineastas do país, precursor do movimento do cinema novo, como Nelson Pereira dos Santos, só poderia mesmo aguçar os sentidos. E para enriquecer ainda mais esse diálogo musical, na sequência de intérpretes estão Elis Regina, Gal Costa e Elizeth Cardoso, Diana Krall cantando em português, o francês Jean Sablon, e os norte-americanos Ella Fitzgerald, Sammy Davis Jr. e Frank Sinatra.

Uma verdadeira viagem sensorial… A única coisa que me chamou a atenção, infelizmente, foi o fato do cinema, em plena estreia, estar vazio. Depois, conversando com amigos que assistiram ao documentário em data distinta, o mesmo ocorreu, um cinema completamente vazio… É uma pena! Ao acenderem as luzes, quando o cineasta finalmente identifica os protagonistas do documentário, gostaria de ter visto uma plateia emocionada como eu, embevecida pela narrativa musical, como acontece quando assistimos a concertos, orquestras, quando despretensiosamente nos dispomos a ouvir uma música de qualidade no carro, em casa, ou em qualquer lugar. Afinal, sempre que a ouvimos com sentimento a boa música se basta.

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogshttp://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários. 

Museu Humano, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Somos verdadeiros museus ao ar livre. Quando digo isso, não me refiro somente às nossas belezas naturais ou aos centros históricos brasileiros restaurados ou em fase de revitalização. Penso também nas pessoas… Sim, um país com tanta diversidade étnica, cultural, linguística e por aí afora, tem um verdadeiro potencial a ser observado, apreciado, analisado, como a beleza da arte em um museu.

Em uma feliz metáfora, é fácil imaginar a beleza do povo brasileiro como obras de arte em um museu a céu aberto. Comecemos pela Ala Sul. A pele branca, como as geadas e neves que encontramos por lá. Coleção de olhos claros, herdados talvez de seus colonizadores, mesmos imigrantes que influenciaram a rica cultura da região. Observá-los em suas danças, no manejo dos aparatos na agricultura e na pecuária, no movimento sutil do chimarrão, ou no corte do churrasco é uma verdadeira obra de arte.

Subimos esse imenso museu e passamos para a Ala Sudeste. Podemos imaginar a agitação urbana como se fosse uma verdadeira instalação artística. Pessoas imersas no caos conturbado das grandes cidades, envoltas pelas luzes frenéticas da noite movimentada dos bares, teatros, cinemas ou na correria diária das negociações.

Indo para a Ala Nordeste, é fácil visualizar a pintura que é o povo nordestino. Telas pinceladas com o verde do litoral, o azul do mar, o tom alaranjado do Sertão e todo o colorido das frutas e das gentes. Um toque da arte naïf na maneira de falar outro surrealista no gingado.

Subindo até a Ala Norte, presenciamos verdadeiras esculturas feitas com a miscigenação do povo indígena. Um toque exótico da floresta modelado como na argila, na cera ou madeira. E por fim a Ala do Centro-oeste, belas fotografias de povos que migraram de todos os cantos do país. Cliques da riqueza de nossa flora e fauna, das rajadas do pôr-do-sol no horizonte único de Brasília, fotografias que falam por si.

Penso que a arte está na maneira de enxergar. Somos criação divina, perfeitos e fruto da inspiração maior. Por que não nos vermos como verdadeiras obras de arte? Obras de arte que deveriam ter maior valor que qualquer outra exposta no mais pomposo museu. Talvez seja tempo de começar a perceber e valorizar a beleza das obras que habitam nossos rios, florestas, cidades, litoral, para respeitar e cuidar de tudo que faz parte desse imenso Museu Humano que é nosso país.

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.

Promessas, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Mais um ano… E, como sempre, chega marcado de promessas: emagrecer, parar de fumar, fazer aulas de música, começar a fazer exercícios, estudar mais, trabalhar menos ou mais, aproveitar mais o tempo com filhos e amigos. Mil e uma metas que colocamos em nossas vidas e que na verdade são nossas molas propulsoras: uma vida sem objetivo abre espaço para a depressão, tristeza, sensação de vazio…

Lembrei de um filme que assisti com meu filho, “Megamente”. No desenho, o vilão, logo no início, derrota o mocinho e entra nesse vazio porque passou a não ter mais graça alguma arquitetar planos mirabolantes para destruir a cidade, já que não havia mais ninguém para impedi-lo. Perdeu suas metas malévolas, mas que não deixam de ser metas, e nos deparamos com um vilão deprimido…

Para 2012, nada de metas malévolas, é claro, e vamos prospectar!!!! A ideia é planejar, mover-se, realizar, conjugar verbos de ação na primeira pessoa, pois o condutor da sua vida é você, delegar as rédeas a outro cocheiro pode te trazer surpresas nada agradáveis, te levar a caminhos tortuosos. E se a sua decisão foi errada, você adquire experiência, como disse Oscar Wilde: “A experiência é o nome que damos aos nossos erros”. Mas se tomaram a decisão por você, só te resta acatar…

Quem sabe possamos encarar 2012 como o ano de executar as promessas dos anteriores. Sair da zona de conforto e efetivamente fazer algo para obter resultados, pequenos ou grandes, mas frutos de nossas escolhas. Seja qual for o seu objetivo, apenas comece, dê o primeiro passo, pois só caminhando é que a vida te apresentará opções de novos caminhos.

Anoushe Duarte Silveira  é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.

Quem disse que viver é fácil? Artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Sempre aprendi que paciência é uma virtude. Passei grande parte da minha vida tentando exercitá-la e sendo lembrada de que deveria praticá-la ainda mais: “Minha filha, tenha mais paciência com sua irmãzinha, ela é só um bebê…”, “Tenha mais paciência, um dia você vai aprender…”, “Tenha mais paciência com fulano, ele é assim mesmo…”, ” Tenha mais paciência que um dia você vai gostar do seu emprego”, enfim…

Até que um dia comecei a ouvir reiterados “nossa, eu não teria tanta paciência”, “meu Deus, como você é paciente”… E achei que enfim estava chegando lá, conseguindo efetivamente exercitar alguma virtude em meio a tantos fatores que nos empurram, derrubam e fazem com que a gente mande a educação e as virtudes às favas.

Estaria tudo lindo e feliz se eu não começasse a analisar o ponto negativo do excesso de paciência. Como se perde tempo e energia se o foco da sua paciência é uma pessoa errada, uma situação errada, um curso que efetivamente você não consegue assimilar, uma profissão que você não gosta e não te remunera bem, um fulano que nada te acrescenta, um parceiro (a) que te faz infeliz… Como tudo em excesso é prejudicial, talvez até mesmo a paciência exacerbada seja uma “anti-virtude”…

O bom mesmo seria ter mais paciência com as pessoas e situações certas e menos com as erradas: nova proposta de vida. Pais, mães, irmãos, amigos verdadeiros, nossos filhos geralmente merecem mais paciência. Às vezes gastamos a maior parte dela com pessoas erradas e deixamos para eles a menor porção. Dosar isso é tão difícil, não? Daí, para corroborar minha reflexão sobre ser o excesso de paciência uma “anti-virtude” vem nada mais, nada menos que Carlos Drummond de Andrade e diz: “Não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência”. Ou seja, o excesso de paciência ainda por cima irrita, tremendamente!!!

Equilíbrio é a maneira ideal de se viver bem, cada dia mais me convenço disso. Perder a paciência no momento certo faz parte de uma vida equilibrada. Explodir no momento certo e acima de tudo com a pessoa certa impede injustiças com seu corpo e com outros que nada têm a ver com o problema. Não é solução ter paciência com um fato que te incomoda se no fim das contas vai adquirir uma úlcera. Não é solução ter paciência com o tal fulano que sempre te trata mal e chegar em casa irritado (a), descontando na pobre da sua mãe, ou do seu filho ou marido ou esposa, qualquer “da vez” que surja na hora errada. Melhor é despejar naquele que causou a angústia, a irritação, não é verdade?

Há momentos em que perder a paciência é totalmente inútil… Vale mais respirar fundo e esquecer — efetivamente esquecer. O mundo precisa realmente de boa convivência, gentileza, educação e mais paciência uns com os outros. Vive-se bem quando se sabe dosar isso, dar o devido peso e importância para os fatos e pessoas, respeitar o próximo, mas também nossos próprios limites. A gente chega lá… Quem disse que viver é fácil?

Anoushe Duarte Silveiraé brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.

Surpresas de fim de ano, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Surpresas de fim de ano

Sempre tive a ilusória convicção de que quase nada deve ser começado pelo fim. Frase maluca, não? O que eu quero dizer é que nunca fiz coisas como começar a assistir a um filme já iniciado e muito menos no final; iniciar a leitura de um livro que não fosse pela primeira página; iniciar trabalhos no final do dia (só os emergenciais) e, seguindo a mesma linha, nunca imaginei que no final do ano algo que me surpreendesse pudesse começar a acontecer.

Cometi dois grandes erros. O primeiro foi crer no “nunca”. Palavra forte e que geralmente nos tira a credibilidade porque é difícil de cumprir, afinal tudo “sempre” muda… E o segundo, foi desacreditar no poder da vida de nos surpreender a qualquer momento. Ela (a vida) vem e te apresenta um fato novo quando geralmente você já tinha dado por encerrada a questão.

Este fim de ano chegou cheio de surpresas para mim. Quando eu já havia me acomodado na certeza de que a vida tinha me reservado o “mais ou menos”, ela me apresentou “o melhor”. E vou terminar 2011 já provando do melhor reservado para os meses e anos que virão…

A vida é mesmo uma sequência de surpresas… Boas, ruins, “mais ou menos”… E que vêm no tempo certo, ainda que a gente insista para que seja no nosso momento. Ter paciência e cumprir a nossa parte é realmente tudo que nos cabe comandar, pois o restante é com ele (Deus) por meio da vida.

Assim, quebrando todos os meus paradigmas, o melhor de 2012 e dos anos que virão (se Deus quiser!) já começou para mim… Quem sabe é só uma questão de percepção. Perceba o que de mais bonito já está na sua vida: filhos, família, amigos, amor, projetos e ofereça também o seu melhor! Quem sabe grande parte dos itens da sua lista de projetos a iniciar já podem ser começados agora… Quem sabe até já estejam aí e você nem tenha percebido. Elimine o “nunca” e creia sempre nas surpresas da vida! Feliz 2012!

Anoushe Duarte Silveiraé brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.

A Sabedoria da Vida, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Noite de Natal

Mais um ano que se vai…As cidades iluminadas com motivos natalinos, e um monte de gente com o coração voltado pra desejos disso ou daquilo: saúde, paz, prosperidade, realizações etc…Seria realmente muito bom se todos tivéssemos nossos corações voltados para votos positivos durante o ano todo, mas não posso deixar de admitir que é melhor do que nada. Então pensei no que eu poderia desejar este ano, além é claro do que realmente importa: felicidade, paz, saúde, amor, proteção divina … E decidi desejar a nós todos paciência e sabedoria para entendermos que, como dizem os poetas Vinícius e Toquinho: “…a vida tem sempre razão…”

Ter esse entendimento, na minha humilde avaliação, traz todo o resto. Por isso eu desejo de todo coração que prestemos atenção nos sinais da vida. Se a vida nos disser não vá, é melhor não ir, não adianta insistir porque vamos nos estrepar. A gente costuma fingir que não entendeu, fingir que não viu ou ouviu e mentir pra nós mesmos… Não adianta! Tem paz quem respeita os limites da vida e seus próprios limites; saúde quem, na maioria das vezes, cuida de seu corpo, porque contra as fatalidades não podemos lutar; realização tem aquele que vai em busca dela e daí quando a vida diz: “não é agora, mas lute pra que seja num futuro próximo” e a gente entende e aceita, ganhamos sabedoria, humildade, perseverança…

Proteção divina nos foi ofertada com a vida, mas é sempre bom lembrar de cuidar um pouco da alma, do espírito, porque junto com a proteção divina também nos foi ofertado o livre arbítrio. Então é preciso saber o que pedimos, pensar antes de escolher nossos caminhos e parar de jogar a culpa em Deus quando algo deu errado nitidamente por causa de nossas más escolhas. Então, toda vez que a gente souber tirar ensinamentos dos tropeços que a vida nos presentear, estaremos recebendo muito mais bênçãos e nos tornando muito mais fortes.

Ela nos testa o tempo todo, mas o bom é que cada uma errada não anula necessariamente uma certa. Ao contrário, às vezes é mesmo preciso errar para achar a resposta.

Desejo então que a gente pare de brigar com a vida, porque ela sempre tem razão!!!! Vai nos cobrar quando falharmos, mas quase sempre nos dará a chance de renovar, refazer ou ao menos nos resignar e não fazer de novo. Quanto mais soubermos entender isso, mais teremos felicidade, mais saberemos amar e mais amor vamos receber. É isso que desejo para todos nós, de todo o coração!!!!

Feliz Natal 

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.

Mulheres que gostam de flores, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Flores, foto Marcello Casal Jr/ABr
Foto: Marcello Casal Jr/ABr

Estava conversando com uma amiga sobre presentes preferidos. Ela me contou que havia ganhado um botão de rosa no dia anterior e havia se apaixonado pela iniciativa do rapaz, atitude cada vez menos frequente, por sinal. Foi quando ela me disse que ama receber flores. E eu prontamente concordei: entre joias e flores, prefiro sempre flores. Aí parei para pensar que existem mulheres que gostam de flores e outras que gostam de joias. Assim como existem homens que dão flores e outros que dão joias.

Quem sou eu para tentar entender porque existem e onde se escondem as sutilezas das preferências, não tenho o “bastão da sabedoria”, mas uma coisa eu sei: gosto de flores. Aliás, prefiro as flores. E vai além do ato romântico em si. Prefiro as flores, primeiro, porque são vivas. São cheirosas, coloridas, sedosas, lindas, algumas até com sabor… As joias são frias, insípidas, inodoras…

Bonitas as joias são, tenho de admitir, e transformam uma mulher, mas transformam qualquer mulher, coisa que as flores não fazem. As flores não transformam uma mulher, apenas fazem aflorar o que elas já são. O próprio nome já contém tal significado: “afloram”. Já parou para enxergar o brilho no olhar de quem ganha flores? É um brilho que transborda felicidade, felicidade que já pertence a essa mulher. Um brilho que exterioriza paixão, amizade, gratidão, enfim, tudo que vier incluído no oferecimento de uma flor.

A joia também desencadeia um brilho no olhar, mas parece que quando você a utiliza, de alguma maneira ela te transforma: a básica vira chique, a pobre aparenta riqueza, a simples demonstra luxo, a triste de repente consegue ficar feliz… Por isso prefiro as flores.

A joia parece trazer consigo um quê de imponência, poder, que nem a mais rara ou mais bela das flores pretende transmitir. A começar pelo fato de não se pretender ser eterna: a flor vive o tanto que precisa durar – um dia, uma semana, um mês – e perfuma a alma para sempre. Já a joia,dura várias vidas, gerações e pode não atingir a alma de ninguém. Ao contrário, às vezes provoca discórdia, brigas em inventários, corações partidos. Também por isso prefiro as flores…

Nada contra as joias, elas são necessárias. Afinal, imagine um mundo sem alianças, sem pingentes de coração, sem braceletes e coroas, mas prefiro as flores, porque ao imaginar um mundo sem flores, vejo um mundo cinza, sem cheiro, sem brilho nos olhos, sem sorrisos, sem amor… Por isso prefiro as flores.

Anoushe Duarte Silveiraé brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários. 

Memórias, o grande livro da nossa vida. Artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Tem dias em que você acorda tão nostálgico que sente saudades de ter saudades… Você quer se agarrar de qualquer jeito a algum sentimento ou sensação que te remeta a bons momentos. Recorre então a uma foto, um cheiro, uma pessoa ausente, uma voz, um trecho de livro, uma música…

É o dia escolhido para exercitar a memória seletiva, a mente é envolvida por tantas sensações gostosas que a vida parece ser um pote de brigadeiro a ser comido com colher.

Teu pensamento te transporta então para aquele abraço apertado e quentinho do primeiro namorado, para o beijo que te faz derreter, para a gargalhada do filho ainda criança, para o colo materno e o ombro do amigo.

De repente, você tem de novo longos cabelos loiros, bochechas redondas e rosadas e muitos sonhos. Sonhos tão inofensivos e arquitetados com tamanha precisão que jamais te pareceria provável que um dia não se tornariam realidade.

De repente, teus pés calçam alpargatas da feira e não têm calos causados pelos saltos impostos. E você pode se permitir caminhar sem destino certo ou no máximo com destino a decidir.

Vem à mente o gosto da infância: hambúrguer do Trucs, groselha, macarrão com ketchup, bolo de cenoura da Zefa…

De repente, você volta ao tempo em que os números não te interessam e que para ser feliz basta haver um lindo dia de sol, uma bicicleta ou uma bola e muitos amigos.

Quem disse que os bons momentos não voltam mais? Basta fechar os olhos e viajar, encontrar um velho amigo e relembrar as antigas piadas, provar um sabor conhecido e já quase esquecido que te remeta a doces lembranças…

Quem disse que as histórias da tua vida não podem ser recontadas a partir do capítulo que quiser? Nossas memórias são como um grande livro de cabeceira, todo anotado, comentado, cheio de registros e que está lá, prontinho para ser reaberto a qualquer tempo.

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários. 

Com a indiferença não se pode contar, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

“Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que ‘viver significa tomar partido.’ Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.” Esse trecho foi retirado do livro Convite à Leitura de Gramsci, de Antonio Gramsci,político, cientista político, comunista e antifascista italiano. Ế claro que foi escrito em um contexto histórico, político e social totalmente diferente, mas continua atual. E, particularmente, concordo.

Tomar partido, não significa apenas tomar partido político, mas tomar partido frente à vida. Posicionar-se. Tenho medo dos que não se posicionam, dos que não enfrentam com coragem as questões que a vida apresenta, impõe. Tenho medo dos que se escondem em falsas máscaras de bonzinhos e, muitas vezes, agem por trás. Prefiro os que “gritam”, mas que claramente mostram suas opiniões. Prefiro os que julgam menos e admitem que erram, porque só erram aqueles que fazem. E afinal, estamos aqui para isso, aprender e, na maior parte das vezes, aprendemos mesmo é com os erros.

Ế besteira achar que existem padrões consolidados. A cada dia a vida nos mostra que é mutante e que num piscar de olhos você deixa de ser, de ter, de estar. Então é inútil acreditar que você é melhor do que o outro, que a sua maneira de viver é a certa e tornar-se apático diante do problema alheio. Amanhã a vida vem e te coloca na posição daquele que você absteve-se de enxergar, de ouvir, de estender a mão… Amanhã a vida vem e coloca um filho seu na posição daquele que você julgou e absteve-se de defender, porque preferiu ser indiferente à questão. E com a indiferença não se pode contar.

Quem verdadeiramente vive, toma partido em prol do que acredita, sendo certo ou errado. Procura conhecer antes de julgar ou, se impossibilitado de conhecer, ao menos respeita, sem colocar-se numa posição superior. Porque a razão não tem dono, ela é livre, hoje está do seu lado, amanhã talvez não.

Posicionar-se é diferente de querer ser dono da razão. Você pode dizer o que pensa, sem ter a certeza de estar certo. Posiciona-se contrário ou a favor, mas liberta-se do peso arrogante da indiferença, porque até o ponto contrário te ajuda a refletir sobre algo, mas a indiferença é o nada. Posicionar-se é diferente também do não saber. Dizer eu não sei é muitas vezes ter uma posição frente a algo. Ế muitas vezes o partido da humildade…

Não sei de muita coisa… Mas uma coisa eu sei: prefiro os que se mostram e dão a cara a tapa; que não têm medo de errar e nem de tomar partido de algo ou alguém; que não se conformam com o que pode ser mudado e não almejam padrões. Prefiro o posicionamento, certo ou errado, pois acho mesmo que é melhor do que a indiferença.

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.