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Provocações do poeta, jornalista, professor universitário, ex-deputado e amigo Luiz Nova !

Para encerrar, aqui, minha participação nesse tipo de conversa (rsrs). , São efetivas as contradições entre o espaço público e as intimidades, emoções, mesmo que históricas. Esse “espaço público” virtual (web) é ainda mais difícil de ser trabalhado. Por exemplo, como “presença”, somos relativamente poucos, mas o grupo é enorme. A postura aguerrida é que conta. A “thurma” do BBMP que o diga. Como espaço público é a mediação entre todos os presentes, qual será a mediação a ser feita, aqui?

Já retirei dois posts que fiz por aqui, porque, depois, achei inadequados, para mim. Havia feito sob a influência de uma intimidade que tenho no contato “real” com amigos, mas não tenho com o espaço público, por ser público e por características pessoais.

Joelson, por exemplo, tem um estilo público que não tenho competência para exercitar, mas admiro. A capacidade de tratar emoções específicas e visões pessoais, em público. Isso vem dos repentistas xique-xiquenses, consolidado na urbanidade aguerrida e cheia de autoridade dos “Poetas na Praça”.

Ao final de tarde – ainda na ditadura – o pôr do sol e os que voltavam do trabalho para casa, pelo centro de Salvador, na Praça da Piedade – histórico espaço onde os líderes da Revolução dos Alfaiates foram expostos, depois de esquartejados -, assistiam uma louvação à liberdade. Mesmo sem explicitar, o evento era um desejo da liberdade futura e um balsamo a todos os militantes daquele presente. Pelo menos é assim que via e vejo. Joelson era um dos principais comandantes daquela empreitada poética, junto com Antônio Short, Zeca Magalhães, Geraldo Maia, Ametista Nunes, Eduardo Teles (in memorian), Pedro Cézar, Agenor Campos (in memorian) e Gilberto Costa.

A coisa foi tão séria que, na Assembléia Legislativa, sob a liderança do Joelson foi organizado a comemoração dos 10 anos do Grupo, em 1989, inclusive um material gráfico impresso com o poema do Joelson, “PIEDADE POESIA”, escolhido democraticamente, entre os poetas, para a comemoração. Foi um acontecimento, à época, na Agenda Cultural soteropolitana.

Frente a tudo isso e sob o comando da emoção, eu ficava posicionado, na “PIEDADE POESIA”, na segunda ou terceira roda de pessoas, que iam se juntando para ouvir aqueles poetas. (Ita, parece ter o estilo mais próximo disso). Alguns até achavam aqueles poetas “malucos”, mas eram os malucos consagrados por Raul, “malucos beleza”. Além disso, a empreitada político-cultural possuía um formato que a população tinha total identidade .

Reproduzia a ação dos vendedores de ervas nas feiras e praças públicas. Assim como nos círculos dos vendedores de ervas, xaropes, preparados e porções diversas, os poetas da praça repassavam as soluções para tudo: mal de amor; falta de liberdade; combate à escuridão; mediocridade e tinham, até mesmo, “remédio” para quem tivesse problemas de alma com “espinhela caída” e “dor de facão”, de amor não correspondido.

Os “médicos” e as receitas iam de Gregório de Matos a Pedro Tierra (Hamilton Pereira), Dom Pedro Casaldáliga e composições próprias e de poetas locais.
Vejam o estilo das poesias de Pedro Tierra, que eram ditas.
“[...]

Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.
[...]
meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e ap ontar a cara dos assassinos. [...]“

(Poema-prólogo, Pedro Tierra)

Fico imaginando como as pessoas que passavam e/ou paravam se relacionavam, com esse tipo de texto. O que da nossa dor era incorporada por elas.

Bem, a síntese é: o fato é que, em público, só me responsabilizo pelos meus textos racionais. E isso, devo dizer, não por discordâncias com quem faz diferente, mas por estilo, jeito e limitações.

Sobre diferença de estilo, já mandei, para algumas pessoas, a mensagem abaixo, falando da unidade e diversidade entre Caetano e João Gilberto, que explica a possibilidade de existir identidades profundas entre estilos diferentes: a essência e a poesia da vida é que contam.

Segue abaixo, a historinha de Caetano e João Gilberto:

O Caetano Veloso voltou do exílio em 1972. Nos shows, se apresentava rebolando e vestindo umas batinhas, calças folgadas e outras mumunhas mais, enrolando o cabelo, displicentemente etc. Coisas que chamavam mais a atenção naquela época, que hoje. Entre as opiniões que Caetano mantinha, estava a profunda admiração por João Gilberto, como uma das maiores expressões da cultura brasileira.

Em um determinado momento, em entrevista, um jornalista perguntou a João, como ele explicava que o Caetano, com aquele perfil e estilo, se identificava tanto com ele, tão formal e que só cantava de paletó e gravata, sentado em um banquinho. Inteiramente sisudo.

A resposta do juazeirense foi: “Vc nunca percebeu que tenho todo aquele rebolado, leveza e simplicidade na minha voz? Essa é a identidade.” (citado livremente).

As, identidades verdadeiras baseiam-se em aspectos mais profundos, não em formas ou estilos, por mais legítimos que sejam. Joelson é dono de um estilo inconfundível e, em minha opinião, indispensável ao espaço público, para acabar com a mesmice. Eu, quando crescer, quero ser assim.

Abraço 

Luiz Nova

Festa do Intelecto, artigo de Anoushe Duarte Silveira.


Um amigo muito querido me deu uma sugestão: lembrar o poeta Waly Salomão. Ele foi Secretário Nacional do Livro do Ministério da Cultura e tomou posse cantando, sugerindo uma gestão promissora pautada pelo sonho, pela catimba e pela bandeira da imaginação no poder. Infelizmente já está no andar de cima… Artista completo (compositor, diretor musical, performer, artista plástico, editor, videomaker, ator e, acima de tudo, poeta) defendia que “o poema deve ser uma festa do intelecto”. Perguntava e se respondia: “O que é que você quer ser quando crescer? Poeta polifônico!.” Ou seja, sair do verso melódico, aquele poema composto por uma ideia que se sucede linha a linha do início ao fim, para chegar ao verso polifônico, uma sucessão de ideias que se sobrepõem, às vezes se opõem, sem a necessidade de chegar à conclusão alguma. Versos cheios de vozes, livres…

A sugestão desse meu amigo veio a calhar e diria até que foi um sopro de inspiração, pois há alguns dias eu vinha pensando em escrever algo sobre intensidade. Na verdade, sobre a benção de poder desfrutar a arte de pessoas intensas, muitas vezes taxadas de loucas… Pessoas desconfiadas e estridentes, que buscam algo fora da linearidade da vida, escapes, raciocínios desconectados, como nos versos de Waly.

Como é bom ouvir uma música, dançar e repetir seus versos, como se ela fosse feita para ti. Obrigada Chico Buarque, Vinícius, Caetano e tantos outros por emprestarem um pouco de sua insanidade e intensidade. Como é bom ir ao cinema assistir ao filme “A Suprema felicidade” de Arnaldo Jabor e durante a projeção ouvir o personagem de Marcos Nanini, um show de interpretação, dizer “…ninguém é feliz, com sorte a gente é alegre. A vida gosta de quem gosta dela”. Eu gostaria de ter escrito isso… bateu uma pontinha de inveja.

E intensidade e espontaneidade não moram só nas mentes de seres brilhantes como essas que citei, a gente encontra direto ao nosso lado… Uma amiga baiana tira o miolo do pão para esfregar naquela gordurinha que fica no fundo da panela após fritarmos um bife e come gemendo… Outro amigo recita poesias em plena madrugada para uma total estranha, porque viu brilho em seus olhos… Mais um que posso citar sai durante um temporal conclamando os vizinhos a participar do espetáculo de ter os pés no chão, o rosto molhado e a alma lavada. Há os que param para observar a lua da laje do apartamento de pijamas e quem sabe retirar o pijama… E os que cantam História de Uma Gata, abraçados, ao final de uma samba, para celebrar a amizade…

Nesta vida há espaço pra tudo, é claro que exige muita seriedade, mas nem sempre precisa ser linear, monofônica… Afinal, não só o poema deve ser uma “festa do intelecto” — a vida, sempre que possível também !!!!

Um pouquinho de Waly Salomão:

“O que menos quero pro meu dia
polidez, boas maneiras.
Por certo, um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás…)”

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários. 

Quando um sorriso te encontra, artigo de Anoushe Duarte Silveira.


Hoje encontrei uma frase perdida em algum canto da internet. Aparentemente perdida, porque na realidade a frase tinha destino certo: como todas, em distintos tempos de nossas vidas. A frase é do poeta que amo, Pablo Neruda, e entre tantos destinos estava incluído o meu. Ei-la:”Perdoe com generosidade aqueles que não te amam”.

Não interpretei a mensagem como uma sugestão de sair por aí dando a cara a tapa. Acho que a ideia é sugerir que mais fácil é armar-se de gentileza ou ao menos de um respeito mínimo ao lidarmos com nossos iguais que, como nós, têm dias ruins, são cheios de falhas e têm todo o direito de não concordar com nossas atitudes e pensamentos.

A generosidade talvez esteja nisso: ainda que com a razão, não precisar humilhar para demonstrá-la, saber recuar se preciso, não ter a necessidade de se impor, porque sem precisar impor seu ponto de vista a mente fica mais aberta para acolher outros… E aceitar críticas mesmo quando vêm dos que não te amam, por que não? Muitos podem não te amar e enxergar seus defeitos até melhor do que os que te amam, ao menos com mais isenção. E muitos têm pleno direito de não te amar e vão mesmo exercitar esse direito, precisam apenas colocar em prática a tal da generosidade em questão.

Vamos torcer para nos nossos dias ruins esbarrarmos com pessoas que praticam essa generosidade instintivamente, antes mesmo de demonstrarmos a nossa falta de amor. Imagine um daqueles dias em que você sai de casa chateado por um ou mil motivos ou simplesmente sem motivos. E tudo o que você deseja é encontrar alguém para despejar a sua raiva: quer que alguém te dê uma buzinada só para você falar um palavrão bem alto; quer que alguém não te trate com a devida atenção só para se sentir injustiçada; quer que o teu namorado não te ligue para poder reclamar… E aí, do nada, surge aquele sorriso iluminado e te encontra, te abraça, te contamina, te desarma…

Acho que esses sorrisos gratuitos são uma boa forma de perdoar com generosidade até mesmo aquele que ainda é só detentor de um ataque em potencial. Um sorriso na hora certa pode até abortar o ataque. Quando um sorriso muito grande te encontra cabisbaixo por aí, ele tem poder energizante. Pode remover nós de estômago, secar lágrimas, fechar feridas internas, às vezes até aquelas bem internas como as do coração. Pode acabar com seus argumentos, para quê argumentar diante de um sorriso?

As mais poderosas armas são mesmo nossos gestos. Que tal distribuir generosos sorrisos e quem sabe um deles, perdido, assim como a frase de Neruda, atinge um alvo certo?

Anoushe Duarte Silveira  é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.

A vida é uma lousa, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

“Esquecer é uma necessidade”. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito”. Quem escreveu isso foi Machado de Assis. E quando li, logo pensei: faz sentido. A vida é uma sucessão de reescrituras, releituras, às vezes melhores que as anteriores, outras vezes não. Mas concordo com Machado de Assis, um novo caso só se escreve depois de apagado o anterior. Isso, numa tentativa  de  se escrever direito, legível. Porque é claro que podemos escrever em cima.  Mas fica algo embolado, ilegível… E assim é a vida. Se a gente não encerra um capítulo, apaga ele da lousa, o próximo vem encavalado, com letras emboladas e construir uma narrativa torna-se muito mais difícil.

No amor, por exemplo, impossível começar um novo caso sem apagar o caso escrito. Fica realmente tudo embolado se houver uma tentativa de sobreposição. Na moda, sobrepor é lindo, uma cor por cima da outra, um vestido por cima de uma blusa, uma imagem por cima da outra. Mas no amor, assim como nos traços da lousa, não: é preciso apagar o amor antigo para se escrever uma nova história. Muitas vezes, numa tentativa desesperada de esquecer logo o amor antigo, a gente tenta colocar imediatamente outra pessoa no lugar, mas parece tão eficaz quanto apagar as palavras da lousa com a mão. Sabe quando a gente não usa o apagador e mete logo a mão para apagar o texto? Pois é, fica aquela mancha branca e quando a gente escreve por cima não se consegue ler nem o que estava escrito antes e nem o que se formou.

Então não há como não concordar com Machado de Assis: no amor, e em muitas ocasiões da vida, esquecer é uma necessidade. Esquecer um amor quando é imperativo construir outro; esquecer mágoas para manter amizades, relações familiares, colegas de trabalho; esquecer desavenças para escrever novos discursos. A gente pode até pegar um giz rosa ou azul para tentar colorir um pouco o novo caso escrito, mas sem apagar o anterior, não adianta, fica mal escrito.

Nessa de esquecer o amor antigo, me lembrei de uma amiga que, após uma sucessão de casos mal sucedidos, me ligou chorando e dizendo que não aguentava mais jogar escovas de dentes fora. Cada namorado que entrava na sua vida e na sua casa, aos poucos, para poupar trabalho, deixava logo a escova de dentes. A entrada da escova de dentes é linda: mais intimidade, mas convivência, mais amor. Porém, o ritual de jogá-la fora, ao término de mais um namoro, tenho que concordar: é terrível. É o começo da tentativa de esquecimento… Fazer o quê: ficar olhando para escovas de dentes?

Portanto, mais uma vez, digo que tenho de concordar com Machado de Assis. A vida é uma lousa e porque não dizer uma sucessão de escovas de dentes jogadas fora. Enquanto a gente não souber colocar no lixo tudo que não nos serve nem mesmo como lição, vamos continuar escrevendo casos embolados, mal resolvidos e colecionando escovas com cerdas desgastadas e duras, totalmente inúteis, que só ocupam o espaço de algo que poderia vir a ser construtivo para a nossa vida.

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários. 

EXCLUÍDOS, de Ricardo Gerdiel.

Vazante vazada. Escárnio de uma Nação. Sucupira Perambula no Amazônia da Floresta Fatiada.

Floresta Amazônia! – Onde esta você? – Lotes – fazendas e fazendários. Mandatários – Capitanias Hereditárias tomam posse da Floresta a quinhentos anos de atropelos – posseiros – glebas e os Governos Federais no meio.

Centro de ladrões da Natureza Pura – Comboios de Genôcidas – malfeitores das naturas – cor dinheiro extrema unção – é dólar meu irmão. Uma gleba um caminhão de dinheiro. Fantasma das utopias – mandatos da alforria – Amazônia descabeçada – trepada, saqueada, roubada, espoliada; trafego de influencia e dinheirada.

Cana de açúcar encanada – fogueiras nas madrugadas, palhoças desencantadas; martírio da Bacia – Amazônia floresta nada. Curupira – Bumba meu boi – Boi fubá. Fatia do marmelo – Marmelada encurralada, poderes da Alvorada, cidade das vaquejadas. Bois fantasmas. Gaspasinho o camarada.

Saci na rede dorme – a espera da sua sorte, nestas cortadas das matas nem formiga escapa. Floresta morta. Ambição das Maluqueiras da Esplanada do dinheiro, fácil e abundante; neste desterro desterrado, cobras, onças e passarinhos – sem ninho; cobiça – grosa e torta.

Trepadeiras sem trepar, pois o tronco foi cortado – serra elétrica é o altar.

Senhores dos poderes apodrecidos, dos governos de nossa gente – Que gente?

O povo em agonia sem titia, sem avós, pais e irmãos – só o trovejar da sorte. Amazônia! – Somente ilusão.

Floresta! Só em CD… Fotografias, e nada mais.

Destes sistemas corruptos e infames, entrega a Natureza ao papel, escorrido do lamaçal, dos tratados parciais. – O Brasil tem outro mapa! – Na Europa, nas Américas, no Mapa Monde. Cortaram e cortaram e continuaram cortando não somente a Floresta, mais o Estado também. Quinhentos e oito anos de espera: do nada, a lugar algum.

Riam Hienas do Asfalto! – Teu laço é a tua gente.

E Viva a Pátria amada BRASIL! BRASIL! BRASIL.

Resumo do Livro Ana Folha e a Turma do Lixão: “Vamos preservar nossas florestas”

Neste nosso trabalho enfatizamos o reconhecimento das florestas por meio de uma abordagem ecopedagógica como perspectiva de construção de mundo que ao mesmo tempo problematiza e soluciona a respeito dos desastres ambientais que continuamente vem acontecendo no planeta Terra.

O despejo de resíduos sólidos, o desperdício de água, a extinção da fauna e flora, e outros contingentes na natureza se revelam como malefícios ao meio ambiente e por isso desejamos despertar na criança uma consciência crítica, ética e cidadã em relação ao seu meio social e em todos os ambientes da natureza.

Como forma de explicar o consumo desenfreado e seus malefícios para o homem e o universo destacamos os personagens do “lixão” e em contra partida ressaltando a necessidade de debates e de implementação das leis que protegem a natureza, de maneira simbólica, por intermédio da “Ana Folha” nossa protagonista principal.

Luciana Ribeiro
http://www.bela-ecopedagogia.blogspot.com/

Ana Folha

Arte Ver II

RECINE 2011 – Festival Internacional de Cinema de Arquivo

RECINE 2011

Festival Internacional de Cinema de Arquivo

A Rio de Cinema tem o prazer de informar que estão abertas as inscrições para a Oficina de Vídeo do Recine 2011, que vai acontecer de 22 de agosto a 2 de setembro, no Arquivo Nacional.

Os 50 alunos selecionados terão a chance de colocar em prática a criatividade para produzir vídeos de curta metragem, (duração média de 5 minutos), com tema livre e utilizando imagens de acervos audiovisuais de domínio público.

O orientador da oficina será o cineasta Luiz Carlos Lacerda, realizador de filmes marcantes do cinema brasileiro como, por exemplo, “Mãos vazias” (1971), “O princípio do prazer”, (1979); “Leila Diniz” (1987), “For all ? O trampolim da vitória” (1997), “Viva Sapato!” (2004), “A morte de Narciso” (2005) e “Vida vertiginosa” (2009).

Bigode, como é conhecido Luiz Carlos Lacerda no meio cinematográfico brasileiro, é experiente orientador de oficinas de realização de filmes e vídeos.

As inscrições vão até o dia 10 de agosto.

Faça sua inscrição, acessando: www.recine.com.br/2011/oficina.php

A Ilustração é de um grande artísta plástico da Bahia: Carlínio França Teixeira 

Conhecimento em suas mãos, artigo de Anoushe Duarte Silveira.

Outro dia desses, fui a uma palestra sobre a escrita na internet e o futuro do livro impresso. Dois escritores conduziram a temática, a plateia participou intensamente e as opiniões divergiram. Chegaram a colocar uma data final para o livro deixar de existir no formato em que conhecemos: em 50 anos. Alguns apostaram na extinção em um prazo ainda menor, outros chegaram à conclusão de que ele nunca deixará de existir no formato impresso, mesmo com a existência das mídias digitais influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito da leitura em todo o mundo.

Hoje, existem tantas maneiras virtuais onde pode-se ler ou pesquisar e-books que às vezes fico perdida: kindle, iPad, google books e por aí vai… Não se chega mais a um estabelecimento para sentar, aproveitar o dia e ler um bom livro. Hoje, as pessoas entram em um cybercafé ou lan house já munidos de seus aparatos tecnológicos. Outro dia comentei com um amigo que estava em um café com meu netbook e ele prontamente me disse: “nossa, isso está ultrapassado, pensei que você estava usando um macbook”. Puxa, desculpa aí!. Imagine se ele soubesse que só no ano passado decidi comprar um computador para minha casa…

Gosto dessa interação lúdica do virar as páginas do livro, anotar algo no canto direito da folha, a lápis, para refletir posteriormente, sublinhar os trechos mais interessantes para quem sabe dias ou anos depois relê-los em um contexto distinto da vida… Gosto do cheiro do livro. Sabe aquela brisa do papel impresso que invade seus sentidos quando você entra em uma livraria? Adoro! E o colorido deles enfileirados nas prateleiras, parece uma verdadeira pintura…

Sem contar a delícia de desbravar os rincões dos sebos e ter, quem sabe, a alegria de descobrir uma edição antiga daquele seu autor favorito. E, então, além de emocionar-se com a literatura em si, soltar ainda mais a imaginação ao criar histórias sobre por onde andou o antigo livro, por quais mãos ele passou, o que presenciou. Porque, além de um português escorreito, esse pequeno objeto agrega tempo, é uma verdadeira relíquia.

Não sei qual será o fim do livro impresso, espero mesmo é que não tenha fim. Não sei quem ganha ou quem perde com essa transformação cultural. Com certeza haverá ganhadores e perdedores, dependendo da capacidade de cada um em se adaptar aos novos tempos. Se por um lado é bom saber que com a internet mais pessoas terão acesso à literatura, por outro as editoras e livrarias estão perdendo espaço.

Enquanto não sei do futuro do livro, sigo por aqui cuidando dos meus e ensinado o mesmo a meu filho. E tento praticar o desapego e repassá-los a outras pessoas ao findar cada leitura, para que outros possam ter a mesma oportunidade de emocionar-se com as histórias e ensinamentos que ele me proporcionou. Pois só essa certeza posso ter: o melhor presente é o conhecimento e, para adquiri-lo, nada como o bom e “velho” livro.

Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.

 

Lagoa Viva: Programação Semana do Meio Ambiente 2011

Lagoa Viva: Programação Semana do Meio Ambiente 2011