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Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) chega cada ano mais cedo, diz WWF


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A cada ano, a humanidade esgota mais cedo sua cota de recursos naturais do planeta. Relatório conjunto de organizações ambientais confirma aumento no consumo de recursos, afirma Jörg-Andreas Krüger, do WWF na Alemanha.

Com base em estatísticas oficiais de 150 países, o World Wide Fund For Nature (WWF) e o think tank internacional Global Footprint Network registraram nesta terça-feira (19/08) o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) de 2014 – um dia antes que no ano anterior. Ele marca o momento em que a humanidade consumiu todos os recursos naturais produzidos pelo planeta no decorrer de 12 meses.

De 5 de outubro em 2000 a 19 de agosto em 2014, o dia em que a humanidade esgota seu orçamento ecológico anual vem chegando cada vez mais cedo, a cada ano. O WWF e o Global Footprint também publicam há 40 anos o relatório bianual Living Planet (Planeta vivo), sobre o consumo de recursos naturais. Sua edição mais recente sairá em setembro.

A Deutsche Welle entrevistou a respeito Jörg-Andreas Krüger, chefe do Departamento de Biodiversidade do fundo mundial pela natureza WWF na Alemanha.

DW: Como surgiu o Dia da Sobrecarga da Terra?

Jörg-Andreas Krüger é especialista em biodiversidade da WWF.

Jörg-Andreas Krüger é especialista em biodiversidade da WWF.

Jörg-Andreas Krüger: Ele nasceu de uma ideia do movimento ambientalista. Queríamos criar um sistema de informação que mostrasse ao público e aos tomadores de decisões a necessidade de, no futuro, refletir mais sobre nossas resoluções.

A cada dois anos, publicamos o relatório Living Planet, como indicador da situação da biodiversidade global.Além disso, o Dia da Sobrecarga da Terra mostra como estamos administrando nossos recursos naturais.

Qual é então, essa “cota de recursos” disponível na natureza?

É uma soma total do que usamos em termos de áreas aráveis ou de construção, do que desmatamos, o que pescamos nos rios e oceanos, e naturalmente o dióxido de carbono que emitimos na atmosfera, por todas as atividades da economia. Portanto, é a totalidade do nosso consumo de matérias-primas naturais e renováveis.

Para estabelecê-lo, precisamos medir os recursos globais que a Terra produz e o que pode colocar à disposição dos seres humanos. Em comparação com o que usamos efetivamente, essa é a “pegada ecológica” que deixamos.

O Dia da Sobrecarga da Terra chega a cada ano mais cedo. Por quê?

Simplesmente por usarmos cada vez mais recursos naturais e renováveis.

Quem é responsável pelo aumento do consumo?

Por um lado, podemos colocar a culpa em quem toma decisões – nos políticos, portanto. Por outro, podemos responsabilizar consumidores ao redor do mundo. Em termos do consumo de recursos naturais, numa comparação global notam-se grandes diferenças entre os países.

Por exemplo, se cada pessoa no mundo consumisse como um alemão, precisaríamos de 2,6 planetas. Na comparação com os Estados Unidos, até mesmo quatro planetas.

Há países, principalmente na África e na Ásia, cujos habitantes vivem abaixo da capacidade de recursos naturais. Quer dizer: as nações industrializadas consomem adicionalmente as reservas dos outros países, e ainda exportam a pegada ecológica delas. Um país como a China, por exemplo, chegou ao limite da sua biocapacidade, e a demanda continua a crescer. Um grande problema para o futuro!

O que diz o relatório Living Planet 2014, a ser divulgado no próximo mês?

Que os cidadãos dos países industrializados deveriam usar os recursos de maneira mais eficiente. Vamos ver que a pegada ecológica cresceu mais uma vez. A pegada ecológica das nações abastadas, porém, não aumentou nos últimos 40 anos. Atualmente identificamos um aumento nos países de renda média, ou seja, os antigos países em desenvolvimento, como os do Brics. Isso é perigoso para a Terra e um grande desafio para a política, pois são países populosos.

Qual é o impacto desse consumo excessivo sobre o meio ambiente?

Há uma enorme perda de biodiversidade. As florestas estão minguando. Há muitas regiões com enormes problemas de abastecimento de água, e a mudança climática tem um grande impacto sobre a agricultura, os solos e o nosso ecossistema como um todo.

O que precisa acontecer para conseguirmos sair dessa “zona vermelha”?

Precisamos de uma indústria mais eficiente. Não podemos continuar a desperdiçar recursos naturais como no passado. Devemos alocar as verbas em investimentos sustentáveis. E necessitamos de um controle mais rigoroso por parte dos governos, que devem tomar decisões corretas em favor da sustentabilidade. Além disso, cada consumidor individual deve agir de forma mais inteligente.

O que cada um de nós pode fazer?

Pode-se, por exemplo, usar energias renováveis e comprar produtos que sejam sustentáveis. Devemos comprar apenas o tanto de que precisamos e o que podemos usar.

Entrevista realizada por Charlotta Lomas, da Deutsche Welle, DW.DE e reproduzida pelo EcoDebate, 22/08/2014. www.ecodebate.com.br