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Oscar Niemeyer.
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“A vida é um segundo”, a frase é do saudoso Oscar Niemeyer. Soa estranho ser dita por uma pessoa que viveu quase 105 anos, mas acho que é assim mesmo, a intensidade faz a vida passar em um segundo.
Ser intenso é apenas uma das milhares de qualidades que lhe podem ser atribuídas. A vida de Oscar Niemeyer está diretamente ligada à beleza, à genialidade, à poesia, à inovação, à ousadia, à criatividade, à vontade de mudar o mundo, de eternizar…
E conseguiu. Suas curvas estão eternizadas na diversidade de suas criações de Brasília a Paris, dos santuários à Sapucaí, dos museus à sobriedade governamental. Curvas, curvas e mais curvas, afinal o ângulo reto não o atraia: ” O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida”, disse.
Uma arte para que todos pudessem ver, ricos e pobres, era o que ele queria. Ainda que o seu ideal não tenha sido totalmente cumprido, afinal o mundo está longe de ser justo, pode-se dizer que, no que lhe coube fazer, ajudou a tornar este mundo um pouco mais belo e um pouco menos injusto.
Ele esperava que Brasília fosse uma cidade de homens felizes. “Homens que sintam a vida em toda sua plenitude, em toda sua fragilidade; homens que compreendam o valor das coisas simples e puras, um gesto, uma palavra de afeto e solidariedade”. Nem todos os homens são assim… Nem todos os homens têm a capacidade de enxergar beleza nas coisas simples, muitos não puderam nem mesmo ter acesso ao museu a céu aberto que Brasília se tornou. Infelizmente, muitos que ajudaram com a própria força de seus braços a erguer tais monumentos, esperançosos de uma vida melhor, estão jogados nas satélites, tão pobres quanto antes, tão longe quanto antes do ideal de justiça de Niemeyer. Mas sua semente de mudança foi plantada, afinal, ser exemplo é o que a gente deixa de mais concreto neste mundo. “Não basta fazer uma cidade moderna; é preciso mudar a sociedade”.
Eu sou suspeita para falar de Niemeyer, afinal eu nasci em Brasília, nessa minha cidade onde o céu colore e compõe a sua arquitetura como uma linda obra de arte, como um sopro de poesia… Ao receber o prestigiado Prêmio Pritzker, considerado “o Nobel da arquitetura, ele disse: ”Mais importante do que a Arquitetura é estar ligado ao mundo. É ter solidariedade com os mais fracos, revoltar-se contra a injustiça, indignar-se contra a miséria. O resto é o inesperado; é ser levado pela vida”. Passou 104 anos planejando, construindo, indignando-se, melhorando e sendo levado pela vida, esta semana ela o deixou.
“Solidariedade justifica o curto passeio da vida. A vida é um sopro” Oscar Niemeyer.
Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em coautoria, selecionados em concursos literários.