O Arquipélago do Abrolhos Bahia é formado por um vasto ecossistema marinho, enfeitado pelos maiores e mais ricos recifes de corais
No Oceano Atlântico, a cerca de 65 quilômetros do litoral sul da Bahia, um conjunto de cinco ilhas compõe o Arquipélago de Abrolhos, que é localizado no município de Caravelas, no litoral sul da Bahia, abriga uma das maiores concentrações de peixes por metro quadrado do planeta, em quantidade e variedade. Barracudas, sargo-de-beiço, budião, peixe-frade, guarajuba, pescada-gaiva, bicudas, peixe-papagaio, peixe-cirurgião, peixe-anjo, peixe-borboleta, cioba ou vermelho, agulha, moréia, baiacu-espinho, xaréus, jaguricá, balemas, piragicas, cereletis, cocorocas, badejos, cavalo-marinho e ricos bancos de camarões.
Paraíso de águas rasas e cristalinas, Abrolhos reúne as melhores condições para a prática de mergulho, tanto do tipo contemplativo, quanto o de exploração de naufrágios, como o do famoso cargueiro Rosalina, que afundou no início do século XX, e nas cavernas submarinas, acompanhados de guias.
Origem:
O Arquipélago dos Abrolhos começou a se formar entre 42 e 52 milhões de anos, quando erupções vulcânicas submarinas derramaram lava no fundo dos mares. Sobre esta base rochosa desenvolveram-se corais, algas calcárias e outros organismos que hoje formam o arquipélago. O fundo é formado por areia de origem biológica, com pedaços de conchas, corais etc. Há 16 mil anos, durante o auge da última grande era glacial, o nível do mar se encontrava 130 metros abaixo do atual. Acredita-se que parte da plataforma de Abrolhos tenha permanecido submersa durante este período, o que permitiu a sobrevivência dos corais. A região seria, assim, um dos “reservatórios” de corais do mundo, de onde teriam se irradiado para outros locais, quando as águas subiram novamente.
Formado por cinco ilhas – Santa Bárbara, Sueste, Redonda, Siriba e Guarita – Abrolhos foi nomeado pelos alertas dos navegantes portugueses no século XVI: “Quando te aproximares de terra,”abre os olhos”. Mas, o que representava perigo aos navios lusitanos, hoje é considerado um dos mais belos roteiros eco turísticos do litoral sul da Bahia, habitat de uma vasta fauna e flora marinha. Sob suas águas, o espetáculo fica por conta das Baleias Jubarte, que se exibem em saltos e piruetas aos visitantes.
Para amantes da natureza marinha, Abrolhos é um paraíso. Dentro das águas claras e mornas, há uma grande diversidade corais, peixes, moluscos, esponjas e tartarugas. Entre julho e novembro, centenas de baleias jubarte chegam ao local para acasalarem e terem filhotes. Fora da água, as formações rochosas e as aves são a principal atração, com destaque para os atobás, pássaros típicos da região.
Os recifes de coral estão entre os mais ricos ecossistemas existentes no mundo. A região dos Abrolhos possui a principal formação de corais do Atlântico Sul e entre suas principais atrações estão os chapeirões. São colunas de coral de até 20 metros de altura que se erguem abruptamente do fundo e se abrem em arcos perto da superfície, podendo chegar a 50 metros de diâmetro, como imensos cogumelos submarinos. As águas, sempre mornas e de coloração azul-turquesa, escondem estes verdadeiros condomínios, onde habita uma infinidade de seres marinhos. A principal espécie formadora dos chapeirões é o coral-cérebro, que só ocorre na Bahia. Mas, além desta, outras 15 espécies de corais formadores de recifes ocorrem nos Abrolhos. Nos recifes mais próximos da costa, os chapeirões ficam tão perto uns dos outros que acabam unindo-se, formando verdadeiras plataformas.
Assim como Fernando de Noronha, Abrolhos é um Parque Nacional Marinho, declarado em 06 de abril de 1983, primeiro local do país a receber tal título, é conhecido por abrigar uma grande diversidade de fauna marinha. Isto é, a região é um berço incrível de preservação da vida marinha e um marco na história do Brasil. Vale lembrar que não é permitido o desembarque de turistas em terra firme. Ou seja, não é permitido ancorar nas ilhas – o tempo todo o visitante fica dentro do barco.
O único jeito de chegar a Abrolhos é de barco, a partir da cidade de Caravelas, que é a mais próxima das ilhas e fica a cerca de 836 quilômetros de Salvador. O tempo de viagem varia de 2 horas e meia a 5 horas, dependendo do tipo de embarcação.
No Parque Nacional Marinho de Abrolhos, as tartarugas desovam, enquanto atobás, fragatas, pilotos e grazinas, em diferentes épocas do ano, aparecem para construir seus ninhos. Monitorados pelo IBAMA e pelo Instituto Baleia Jubarte, o Parque recebe mais de 15 mil visitantes por ano. Enquanto o farol (fabricado na França) localizado na ilha de Santa Bárbara ilumina a noite dos navegantes.
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, um estudo da biodiversidade o Banco de Abrolhos registrou aproximadamente 1.300 espécies, 45 delas consideradas ameaçadas.
Fonte: Guia do Turismo Brasil, Idéias na Mala e Abrolhos Net.