Entrevista Com o Pedro Cadore, Diretor do Espetáculo Musical Belchior: Ano Passado eu Morri, mas esse ano eu não morro
Pedro Cadore é, junto com a Claudia Pinto um dos organizadores do texto e diretor do espetáculo Belchior: Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro – O Musical, que está em cartaz no Teatro João Caetano, de 05 a 28 de abril/2019, com apresentações as 6ªf e sábados 19h e domingos 18h.
Vamos conhecer um pouco do processo de criação desse espetáculo sobre a vida e a obra de um dos grandes nomes da nossa MPB?
Vamos a ele…
Porque um musical sobre BELCHIOR nos dias de hoje?
Acredito que o fato dele ter se isolado nos seus últimos 10 anos de vida somados ao seu contato raro com a mídia, fizeram com que suas músicas fossem deixadas um pouco de lado pela geração da era digital. Aliado a isso, o contexto politico brasileiro nos sugere um poder baseado no medo, assunto muito abordado pelo cantor. Belchior é uma figura que aparece como um grito de socorro, um ouvido amigo, uma mensagem de amor para os tempos atuais.
O espetáculo é um musical biográfico sobre o cantor compositor homenageado?
Sim e não. No começo do processo, eu e Claudia, nos questionamos diversas vezes sobre o porquê contar a história de um personagem que dizia “que a pessoa do artista é menos importante do que o personagem artístico”. Eu e Cláudia decidimos partir de suas palavras, não apenas suas músicas, mas de suas falas em entrevistas de programas de televisão, de rádios e jornais. Fizemos uma compilação de seu discurso e suas referências criativas numa tentativa de mostrar um pouco da sua filosofia e atmosfera. O roteiro da peça se fechou quando entendemos que o personagem dentro das músicas não era um alter ego de Belchior, mas que na verdade ele estaria falando de uma larga faixa da população. Vemos então em cena não apenas a representação do cantor, mas também o personagem criado por ele: o Cidadão Comum. A vida do criador e da criatura se confundem e de alguma maneira acabamos contando um pouco de sua biografia, mas sempre dando preferência ao conteúdo de seu discurso.
Como foi escolhido e quais são as musicas que estarão no espetáculo?
Fazer um musical biográfico sempre nos obriga a dar prioridade aos grandes clássicos. Nesse caso, já sabia desde o principio que não poderia faltar canções como “Alucinação”, “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, “A Palo Seco”, “Na Hora do Almoço”, “Todo Sujo de Batom”, “Coração Selvagem”, “Medo de Avião”, “Mucuripe”, “Como Nossos Pais”, “Paralelas”, “Velha Roupa Colorida”, “Sujeito de Sorte” e “Galos, Noites e Quintais”. Só isso junto já são 13 músicas e como a ideia sempre foi fazer um musical que não fosse maçante, queríamos adicionar apenas mais duas. Como um passe de mágica, ou por pura consistência do trabalho de Belchior, todas as músicas me pareceram contar a história que estávamos flertando e naturalmente uma ordem foi se desenhando. A busca pelas duas restantes acabou seguindo a necessidade de pontuar certas partes do texto. “Conheço o meu lugar” surgiu como uma pérola dentro da peça, pois fala diretamente sobre o Cidadão Comum e “Populus”, que soa como uma cantiga de ninar abordando a morte sem razão do cachorro Populus. Confesso que selecionar as músicas para entrar foi dos momentos mais prazerosos de todo o processo, em polaridade oposta a isso, desescolher algumas foi pura sofrência. Se algum dia tiver oportunidade de homenagear Belchior de outra forma não posso deixar faltar “Divina Comédia Humana”, “Carisma” e “Sensual”.
Como foi a escolha do título do espetáculo: Belchior: Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro?
O subtítulo, retirado da música “Sujeito de Sorte”, acaba surgindo como uma espécie de injeção de ânimo para todos que decepcionaram com os rumos do país. Mas acima de tudo é preciso ter esperança, renascer das cinzas e ir a luta. Belchior sempre acreditou na igualdade e no amor, em nome desses princípios vale ser fênix.
Como surgiu a ideia desse musical?
Surgiu inicialmente por gostar de sua obra e ter muita curiosidade com todo o mistério que rondava sua figura.
Essa é sua primeira produção teatral?
Não, na verdade essa é a minha quarta peça de teatro como diretor. Comecei dirigindo duas peças de improviso chamadas “Desconsertados” e “5 contra nem 1”. Em 2016 fiz o espetáculo “O Diabo Não Pode Ser POP” no Sesc Tijuca, em que já abordava o assunto da política brasileira. Além disso, tenho alguns trabalhos no audiovisual como os longas “Tamo Junto”, como roteirista e codiretor, “B.O.”, como diretor, roteirista e produtor; minha webserie “Voluntários 343”, e ano passado tive o prazer de participar como videografista na peça “Vim Assim que Soube” de Renato Carrera e Marco André Nunes.
Como está sendo pra você, dirigir um grande musical, com atores e vários músicos ao vivo e a responsabilidade de estrear em um grande teatro como o João Caetano, palco de tantos sucessos anteriores ao seu?
Primeiramente um grande prazer. Dentro dos meus processos a música sempre esteve muito presente, porém ter a presença física e sonora de músicos é um deleite para nós admiradores. Inclusive tem gente que diz que diretores são músicos frustrados e não sei se posso ir muito contra a frase. Hahaha… Estrear no João Caetano é mais que uma responsabilidade, é quase uma ousadia, porém nunca tive tanta certeza de que estamos no lugar certo. Diversos fãs cariocas da idade dos meus pais lembram com muito carinho do show que o Belchior fez por lá nos anos 80. O Teatro João Caetano acaba surgindo não só como uma das grandes casas de espetáculos do Rio de Janeiro, mas como um lugar mais que especial por seu vínculo ao cantor.
Como foi a escolha dos atores e da equipe do espetáculo?
Fazer um trabalho sem verba de editais e patrocinadores depende muito da ajuda de grandes amigos e parceiros. Pablo Paleologo me surgiu como opção após pensar qual era a voz mais bonita que eu conhecia e que adoraria ouvir cantando Belchior, já o Bruno Suzano foi indicação de uma amiga em comum, mas desde a primeira leitura sabia que tinha que ser ele. No resto da equipe sou acompanhado por grandes parceiros de outros trabalhos como Rodrigo Belay, iluminador, e Pedro Nêgo, diretor musical. A surpresa dessa vez ficou com o prazer quase inenarrável de estar junto desse oráculo chamado José Dias, grande cenógrafo e figurinista do nosso país.
Vocês tiveram algum tipo de patrocínio para a montagem desse espetáculo? Se teve, quais? Pode divulgar. Se não teve patrocínio, quem e como ele está sendo bancado?
Não tivemos patrocínio, nem leis de incentivo, e na verdade, tivemos somente o aporte de 20 mil reais feito pelo produtor do espetáculo. O bom de fazer um musical com essa verba é que a gente já assume de cara que somos loucos.
Belchior Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Nâo Morro – O Musical – no Teatro João Caetano de 05 de abril/2019 até o dia 28/04/2019 – Temporada Popular
O espetáculo “BELCHIOR: Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro – O Musical”, que marcará os 02 anos de ausência desse cantor e compositor que teve sua trajetória artística interrompida por sua própria vontade e necessidade, fará sua estreia nacional no Teatro João Caetano (RJ), em abril/2019, com apresentações sexta-feira e sábado às 19h e domingo às 18h, do dia 05/04 ao dia 28/04, com ingressos a preços populares, de R$40,00 / R$20,00 (estudantes, jovens até 21 anos e acima de 60).
Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Como gostava de ironizar, “um dos maiores nomes da música popular”. Mais conhecido como Belchior, o cantor e compositor nasceu no dia 26 de outubro/1946, em Sobral, norte do Ceará, e já no início da década de 70 veio para o eixo Rio-São Paulo tentar emplacar suas canções em festivais de música.
Seu sucesso inicial aconteceu quando a cantora Elis Regina interpretou duas de suas músicas no espetáculo Falso Brilhante: ‘Velha Roupa Colorida’ e ‘Como Nossos Pais’.
Seus últimos dez anos de vida foram de quase total silêncio, com raras notícias, entrevistas ou shows. Diante de tal isolamento, seu nome acabou saindo dos grandes holofotes, porém neste momento político do país, sua voz se faz necessária, afinal… “amar e mudar as coisas interessa mais.”
O espetáculo conta um pouco da história do cantor cearense Belchior, vivido em cena pelo ator/cantor Pablo Paleologo, a partir do personagem criado em suas canções: o Cidadão Comum, interpretado pelo ator Bruno Suzano. Ele representa uma larga faixa da juventude que se vê obrigada a se conformar com os padrões da sociedade, sem nunca conseguir ir atrás dos seus sonhos.
O ator Pablo Paleologo que dá vida ao Belchior comenta:
“Viver Belchior é, literalmente, uma alucinação. Como se estuda alguém tão enigmático, tão curioso, tão camaleônico? Admirava muito como compositor. Hoje admiro como pessoa. Belchior tinha o dom da palavra, como poucos tem. E, por opção, tornou-se o “desaparecido” da Música Brasileira. Trazê-lo de volta, em tempos atuais, é necessário. Poder transmitir as mensagens de suas músicas é um presente que me foi dado. É necessário lembrar que “amar e mudar as coisas” deve, de fato, ser o mais importante”.
Um dos organizadores do texto e diretor do espetáculo, Pedro Cadore explica: “Eu e a Cláudia Pinto (organizadora do texto, juntamente com ele) decidimos partir das palavras do homenageado e não apenas de suas músicas, mas também de suas falas em entrevistas de programas de televisão, de rádios e jornais. Fizemos uma compilação de seu discurso e suas referências criativas numa tentativa de mostrar um pouco da sua filosofia e atmosfera. O roteiro da peça se fechou quando entendemos que o personagem dentro das músicas não era um alter ego de Belchior, mas que na verdade ele estaria falando de uma larga faixa da população. Vemos então em cena não apenas a representação do cantor, mas também o personagem criado por ele: o Cidadão Comum. A vida do criador e da criatura se confundem e de alguma maneira acabamos contando um pouco de sua biografia, mas sempre dando preferência ao conteúdo de seu discurso”.
Com 15 músicas – ‘Alucinação’, ‘Apenas Um Rapaz Latino Americano’, ‘A Palo Seco’, ‘Na Hora do Almoço’, ‘Todo Sujo de Batom’, ‘Coração Selvagem’, ‘Medo de Avião’, ‘Mucuripe’ (de Belchior e Raimundo Fagner), ‘Conheço o Meu Lugar’, ‘Como Nossos Pais’, ‘Populus’, ‘Paralelas’, ‘Velha Roupa Colorida’, ‘Sujeito de Sorte’ e ‘Galos, Noites e Quintais’ – interpretadas por uma banda formada pelos músicos Cacá Franklin (percussão), Dudu Dias (baixo), Emília B. Rodrigues (bateria), Mônica Ávila (sax/flauta), Nelsinho Freitas (teclado), Rico Farias (violão/guitarra) liderados pelo diretor musical Pedro Nêgo, e uma organização de textos, retirados de entrevistas do próprio Belchior, pela pesquisadora Claudia Pinto e o, também diretor, Pedro Cadore, a peça pretende passar para o espectador não a sua biografia, mas a filosofia de um dos ícones mais misteriosos da música popular brasileira.
A produção geral, assessoria de imprensa e marketing são comandadas por João Luiz Azevedo em mais uma realização de sua produtora Boca Fechada Promoções e Produções Artísticas e Culturais.
Ficha Técnica:
“BELCHIOR: Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro – O Musical”
Organização de Textos: Cláudia Pinto E Pedro Cadore
Direção: Pedro Cadore
Elenco: Bruno Suzano E Pablo Paleologo
Músicos: Cacá Franklin (percussão), Dudu Dias (baixo), Emilia B. Rodrigues (bateria), Monica Avila (sax/flauta), Nelsinho Freitas (teclado) E Rico Farias (violão/guitarra),
Direção Musical: Pedro Nêgo
Diretor De Arte E Cenografia: José Dias
Iluminação: Rodrigo Belay
Produção Geral, Assessoria De Imprensa E Marketing: João Luiz Azevedo.
Local: Teatro João Caetano – Praça Tiradentes – Tel. 2332-9257
De 05 À 28 De Abril De 2019. Sexta E Sábado Às 19h E Domingo Às 18h.
Informações E Reserva De Ingressos Pelo Whatsapp (21) 99731-0933
Classificação Indicativa: Recomendado Para Maiores De 12 Anos.
Valor Dos Ingressos: R$ 40,00 / R$ 20,00 (meia Para Estudantes, Jovens Até 21 Anos E Idosos Acima De 60 Anos)
Tempo De Duração: 1h20min.
Pontos De Venda De Ingressos: Bilheteria Do Teatro João Caetano E No Site Ingresso Rápido.
Produção: Boca Fechada Produções Artísticas
Fonte: João Luiz Azevedo – [email protected] em 09/04/2019.