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No dia 25 de julho, comemoramos o dia do escritor. Navegando pela internet, li uma definição sobre o ato de escrever que achei muito simples e realista. “Escrever é uma liberação da mente, pois, escrevendo, damos asas aos nossos pensamentos e à nossa criatividade, sem encontrarmos limites no tempo nem no espaço. Um escritor não precisa ter a missão de salvar o mundo, mas deve carregar a responsabilidade de ser honesto consigo mesmo e com os outros, pois um dia seus escritos podem ser lidos por alguém, formando opiniões”.
O cuidado com aquilo que se escreve é um tema que de vez em quando me toma de assalto. Isso porque realmente acredito que somos responsáveis por aqueles que cativamos com nossos meios de expressão. E em homenagem ao dia do escritor, vou me ater à forma escrita.
Quem sabe um dia, o que eu escrevo possa interferir na vida de alguém, assim como uma coleção de letras ordenadas sob a forma de poema, prosa, letra de música, roteiro de cinema ou até rabiscadas em uma parede, ou num quadro, interfeririam na minha.
Quando tive a primeira decepção amorosa, busquei consolo nas letras de Chico Buarque, e junto com ele lancei a pergunta retórica, como nos versos de Almanaque, “…Me responde por favor/Pra onde vai o meu amor/Quando o amor acaba…/Me responde por favor/Pra que que tudo começou/Quando tudo acaba”… E, então, na separação, sem entender as razões de como o sentimento se transforma, Vinícius de Moraes veio com sua poesia me contar que é assim mesmo: “De repente do riso fez-se o pranto/Silencioso e branco como a bruma/E das bocas unidas fez-se a espuma/E das mãos espalmadas fez-se o espanto…De repente da calma fez-se o vento/Que dos olhos desfez a última chama/E da paixão fez-se o pressentimento/E do momento imóvel fez-se o drama”.
Quando Deus me presenteou com o amor incondicional, com o nome de João, aprendi a respeitar o medo e a agraciar a coragem para que ela nunca me faltasse. Foi então que o conselho de João Guimarães Rosa me serviu “o correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem…”
Também me deparei com a saudade de parentes e amigos que se mudaram para longe ou partiram deste mundo e então entendi o que os versos de Pablo Neruda ensinam: “Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já…”
Deixo aqui, portanto, minha pequena homenagem a todos os escritores profissionais, poetas de ocasião, compositores e amadores, como eu. A todos que emocionam com seus escritos, promovem reflexão, levantam questionamentos! E a tantos “anjinhos”, humanos ou não como nos filmes de Wim Wenders que sopram em nossos ouvidos para que possamos escrever a coisa certa com destino certo e que muita gente chama de inspiração!
Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em coautoria, selecionados em concursos literários.