Cooperafloresta conclui ações da segunda etapa do Projeto Agroflorestar com relevantes resultados socioambientais.
Agroflorestas: segurança alimentar, renda e conservação dos recursos naturais.
O Projeto Agroflorestar, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental desde 2010, conclui suas ações com importantes resultados socioambientais.
Onde tudo começou
A Cooperafloresta, ao longo de 20 anos, desenvolveu e consolidou a agrofloresta como alternativa de produção e vida para famílias agricultoras e quilombolas no Vale do Ribeira, rompendo e revertendo uma situação muito crítica de exclusão social, econômica e política. Através da proposta agroflorestal, conseguiu construir um novo caminho, impulsionando um processo participativo de organização e de mudança na prática agrícola e comercial. Em 2010, juntamente com mais de 30 organizações parceiras, iniciou o Projeto Agroflorestar, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental.
Sobre o projeto
O projeto tem como objetivos a recuperação e conservação dos recursos naturais, com foco na fixação de carbono e emissões evitadas, através do aprimoramento e ampliação da prática agroflorestal junto à agricultura familiar e camponesa e comunidades quilombolas, gerando referenciais técnicos e metodológicos, socializando e multiplicando os conhecimentos e experiências construídos através de atividades de formação, capacitação, intercâmbios e educação ambiental.
Neste sentido, o Projeto Agroflorestar apoiou vários elementos inovadores: agrofloresta agroecológica, agentes multiplicadores, mutirões agroflorestais, fundo rotativo de microcrédito, sistemas participativos de garantia, comercialização coletiva, pesquisa e gestão participativa. As metodologias desenvolvidas e os resultados da construção coletiva do conhecimento agroflorestal foram socializados através de diversos materiais de comunicação, como livros, cartilhas, boletins, informativos e vídeos, disponíveis em www.agroflorestar.com .
Agroflorestas somando às iniciativas agroecológicas em assentamentos de Reforma Agrária
O Projeto Agroflorestar, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, viabilizou o trabalho com agroflorestas junto aos assentamentos de Reforma Agrária, em especial no Paraná e São Paulo. Entre as parcerias, merece destaque a grande sinergia com o “Projeto Flora”, também patrocinado pela Petrobras e coordenado pelo Instituto Contestado de Agroecologia – ICA, viabilizando o trabalho em diversos assentamentos paranaenses. As famílias assentadas e sua rede orgânica de organizações nacionais e internacionais vêm construindo escolas de agroecologia e formando pessoas de muitos outros locais do Brasil e de países latino-americanos. O Projeto Agroflorestar apoiou algumas destas iniciativas, em especial as coordenadas pela Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA) e a Cooperativa Terra Livre no Assentamento Contestado e o Centro de Formação Sócio-Agrícola Dom Hélder Câmara, no Assentamento Mário Lago. O projeto envolveu mais intensamente o Assentamento Contestado (Lapa/PR) e do Assentamento Mário Lago (Ribeirão Preto/SP), ambos concebidos para servirem como referências em agroecologia e sistemas agroflorestais (SAFs), com grande esforço e muitos aprendizados tendo sido realizados nesta direção. Foi nestes dois assentamentos que as referências de SAFs do Projeto Agroflorestar foram mais intensamente construídas.
No Assentamento Contestado, na Lapa/PR, o projeto foi um importante instrumento de promoção da agroecologia e da prática agroflorestal junto às 80 famílias agricultoras diretamente envolvidas, mas também num universo muito mais amplo envolvendo outros assentamentos e comunidades rurais, universidades e organizações urbanas. No assentamento Mário Lago, em Ribeirão Preto/SP, o Projeto Agroflorestar também oportunizou a implantação de agroflorestas e um processo continuado de formação e capacitação. Além de planejar e manejar os sistemas agroflorestais, as famílias assentadas e suas organizações também compartilham as possibilidades e desafios da inserção da agroecologia não somente como proposta técnica, mas como modelo produtivo, político, social e econômico em contraposição ao agronegócio, conforme depoimento de Kelli Mafort, assentada no Assentamento Mário Lago e integrante da direção nacional do MST: “Ribeirão Preto é considerado o coração do agronegócio no estado de São Paulo, com um modelo de produção agrícola que degrada os recursos naturais, devastando o cerrado e florestas nativas para sua expansão, gerando consequências ambientais nefastas que incluem a contaminação comprovada do Aquífero Guarani. Todo alimento é produzido fora do município. A seca vem aumentando, a maior parte das nascentes que existiam foram soterradas. Neste quadro ambiental e socialmente adverso, uma nova realidade vem surgindo. Uma realidade agroflorestal, mais verde, úmida, plena de biodiversidade cresce a cada dia no assentamento Mário Lago, promovendo qualidade de vida, alimentação saudável e renda para as famílias assentadas.”
Escola Agroflorestal: construção e socialização do conhecimento agroflorestal
Historicamente a Cooperafloresta realizou seu processo de formação sempre a partir da prática e saberes das famílias agricultoras, agentes multiplicadores e equipe técnica, conferindo um caráter dialógico, dinâmico e experimental ao conhecimento construído coletivamente. Assim, a “sala de aula” são as agroflorestas, os “professores” são as pessoas envolvidas na concretização desta forma de agricultura, os “alunos” são todos que querem ampliar seu conhecimento e interação com a natureza. Agricultor(a) falando com agricultor(a) em ações práticas tem se mostrado a melhor forma de capacitar e ampliar os conhecimentos dos mesmos, pois a construção do conhecimento acontece através do intercâmbio de saberes mediados pela realidade concreta, com seus limites, potencialidades e desafios. Desta forma, o aprendiz também é educador e o processo de ensino aprendizagem promove o protagonismo de todos os envolvidos.
Nesta dinâmica foi se construindo a Escola Agroflorestal, espaço informal de formação agroflorestal que anualmente envolve mais de 800 pessoas que visitam a Cooperafloresta para conhecer seus sistemas agroflorestais, a organização das famílias agricultoras e seus mutirões, o sistema participativo de garantia da Rede Ecovida de Agroecologia, o beneficiamento, processamento e comercialização coletiva da produção agroflorestal.
A Cooperafloresta encontrou total ressonância junto a um amplo processo de construção da agroecologia no âmbito da reforma agrária. Dele fazem parte grande número de escolas que promovem formação em agroecologia dentro dos assentamentos, bem como a articulação de ações formativas em diferentes níveis, como a realização da Jornada da Agroecologia realizada no estado do Paraná, que reúne anualmente cerca de 4 mil famílias assentadas e suas organizações ao longo de quinze anos consecutivos. Assim, o Projeto Agroflorestar, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, viabilizou a ampliação da atuação da Escola Agroflorestal junto aos assentamentos de Reforma Agrária, em especial no Paraná e São Paulo, apoiando a formação e consolidação de uma rede com 1050 famílias assentadas adotando os SAFs como forma de produção agrícola e de vida.
Assim, a Escola Agroflorestal além de ter sido qualificada, fortalecida e reconhecida neste espaço, também teve sua proposta multiplicada entre seus parceiros nos assentamentos, que também passaram a irradiar a proposta agroflorestal na sua região e redes que integram.
Ao final de suas atividades, o Projeto Agroflorestar, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, contabilizar aproximadamente 24.500 pessoas (direta ou indiretamente), envolvidas em diversas atividades de capacitação, como oficinas, mutirões, cursos, estágios, intercâmbios, visitas e vivências.
Pesquisa gerando indicadores para a compreensão e irradiação das agroflorestas
O Projeto Agroflorestar teve como um de seus eixos de ação a pesquisa sobre a dinâmica da biodiversidade, da fertilidade e demais características físicas do solo e do carbono na prática agroflorestal, monitorando indicadores ambientais, de fertilidade do solo e produtivos. Para tal, contou com diversas parcerias, contando especialmente com a atuação do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade), Embrapa Florestas e UFPR (Universidade Federal do Paraná). Esta ação de pesquisa foi divida em duas etapas. Na primeira delas o foco foi a perícia agroflorestal de quase duas décadas da Cooperafloresta, no Vale do Ribeira, como abordagem de diversos temas: segurança alimentar, comercialização, cadeia produtiva, biodiversidade, fixação de carbono, ciclagem de nutrientes, capacidade de infiltração de água no solo, processo de aprendizagem, entre outros. Os resultados dessa etapa estão no livro “Agrofloresta, Ecologia e Sociedade”, editado pela Editora Kairós, e disponível em: www.agroflorestar.com e www.cooperafloresta.com .
Na segunda etapa, o objetivo foi o de acompanhar algumas agroflorestas desde a sua implantação, fazendo análises periódicas do incremento da fertilidade dos solos, da produção de biomassa e da fixação de carbono. Para isso, acompanhou-se a ampliação do trabalho da Cooperafloresta, em parceria com agricultores e técnicos de assentamentos de reforma agrária em São Paulo e no Paraná, a partir de 2013. Entre os desafios dessa irradiação, está a adaptação de práticas e técnicas agroflorestais para o Bioma Cerrado e o ecossistema de florestas com araucárias.
“Procurando explicar este processo de pesquisa, pode-se dizer que na primeira etapa foram feitas várias “fotografias” de agroflorestas e de processos de produção, onde elas já estão consolidadas. Na segunda etapa, o objetivo é fazer “filmes” das histórias de algumas agroflorestas, em ambientes diferentes, a partir de análises periódicas do solo e da vegetação, identificando os efeitos das práticas de manejo agroflorestal desde seu início”, explica o pesquisador Walter Steenbock, que é analista ambiental do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade).
Alguns indicadores a pesquisa: Em geral, em todas as áreas de agroflorestas analisadas, houve aumento de carbono e matéria orgânica, redução da acidez e aumento dos terrores de fósforo no solo. O manejo agroflorestal foi, sem dúvida, fundamental para a evolução destes atributos de fertilidade do solo. “Estes dados são de fundamental relevância para a ampliação da prática agroflorestal junto às famílias agricultoras e demonstra que o exemplo pode e deve ser seguido”, conclui o coordenador do Projeto Agroflorestar, Nelson Eduardo Correa Neto.
Os resultados das pesquisas foram debatidos com as famílias agricultoras envolvidos no Projeto, bem como apresentados em órgãos de assistência técnica e extensão rural, em associações e grupos de agricultores, em universidades e escolas, em fóruns de discussão e elaboração de políticas públicas em agricultura e meio ambiente.
O Projeto Agroflorestar e seus principais resultados:
Entre os frutos colhidos com o Projeto Agroflorestar, destaca-se:
– 1.200 hectares de sistemas agroflorestais consolidação e qualificados, recuperando e conservando a biodiversidade no bioma Mata Atlântica e Cerrado;
– 400 famílias agricultoras quilombolas e assentadas com melhoria das condições de vida através da diversificação alimentar e da ampliação da renda.
– Rede com 1050 famílias assentadas assessoradas tecnicamente para a prática agroflorestal
– 24.000 pessoas sensibilizadas e capacitadas, direta e indiretamente, de através das atividades de formação da Escola Agroflorestal.
– Conhecimentos sistematizados e gerados através de pesquisas sobre componentes, processos e efeitos da agrofloresta, gerando referências técnicas e científicas para a ampliação de sua adoção e para formulação de políticas públicas.
– Famílias agricultoras envolvidas fortalecidas em sua organização, ampliando seu protagonismo.
– Conhecimentos tradicionais resgatados e valorizados no manejo das agroflorestas e na prática agroecológica.
– Articulação de organizações governamentais, não–governamentais, movimentos sociais, universidades, institutos de pesquisa, escolas públicas para ação conjunta em prol da disseminação dos sistemas agroflorestais e da recuperação e conservação dos recursos naturais.
– Acesso às políticas públicas ampliado por parte das famílias agricultoras e suas organizações;
– Famílias agricultoras e cidadãos urbanos consumidores aproximados através de alianças para o comércio ético e solidário.
– Êxodo rural diminuído na área de atuação do projeto, em especial em relação aos jovens.
“O mais importante da agrofloresta tem sido a revolução humana. O pessoal está plantando com mais cuidado, cuidando do jardim, plantando árvore… e já não sai lavrando tudo. Além disso, veja, meu filho mais velho está com 19 anos, e dá pra ver a evolução dele, querendo ficar na roça, participando do Projeto… minha filha está fazendo 14 anos e está aqui, está estudando… eles estão com vontade de ficar na terra, porque estão gostando de ficar aqui. Estamos plantando floresta com gente!” (Paraguai, agricultor do Assentamento Mário Lago, Ribeirão Preto/SP)
Sobre a Cooperafloresta – http://cooperafloresta.com
A Cooperafloresta nasceu em 1996. Em 2003 foi formalizada e hoje atua diretamente com 120 famílias agricultoras e quilombolas de Adrianópolis (PR) e Barra do Turvo (SP). Também assessora 180 famílias agriculturas assentadas, distribuídas nos municípios de Morretes, Antonina, Paranaguá, Serra Negra e Lapa (Paraná); Ribeirão Preto e Apiaí (São Paulo).
Em todas as localidades promove o fortalecimento da agricultura familiar e camponesa assessorando os processos de organização, formação e capacitação das famílias agricultoras, planejamento e manejo dos sistemas agroflorestais, além do beneficiamento, agroindustrialização, certificação participativa e comercialização coletiva e solidária da produção. Além do Projeto Agroflorestar, a Cooperafloresta executou três outros projetos patrocinados pela Petrobras que tem se configurado como uma parceira fundamental para a consolidação, qualificação e multiplicação da prática agroflorestal, geração de renda e conservação ambiental. Em 2013, a prática agroflorestal desenvolvida pela Cooperafloresta classificou-se em segundo lugar no Prêmio Tecnologia Social promovido pela Fundação Banco do Brasil. A premiação teve 1.011 projetos inscritos em cinco categorias distintas, e apenas 15 projetos premiados. A tecnologia social em questão foi a ‘Agrofloresta baseada na estrutura, dinâmica e biodiversidade florestal’, da categoria “Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária”.
Sobre o Projeto Agroflorestar
O Projeto Agroflorestar – iniciativa que busca o equilíbrio entre o desenvolvimento humano e o meio ambiente – está sendo patrocinado pela Petrobras dede 2010. Ao longo de sua execução vem conquistando resultados importantes e muitos avanços, transformando a vida de centenas de famílias agricultoras de diversas regiões do país ao mesmo tempo em que recupera e conserva os recursos naturais.
Informações para a imprensa: Josi Basso – [email protected], [email protected] – Tel. (41) 9959-0506 – (41) 9223-7104
Fonte: [email protected] em 06/09/2016.