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Era uma vez um menino que navegava em um barco de papelão, enfrentando piratas e monstros marinhos no meio da sala da sua casa. Quando voltava da escola, construía novas aventuras: as cadeiras empilhadas viravam um enorme foguete e o telhado, um lindo universo estelar. A noite, quando dormia com seu melhor amigo, o pinguim, os sonhos eram recheados de guerreiros e mundos encantados, inspirados na leitura que a mamãe fazia antes de dormir.
Era uma vez um mundo fantástico que só a imaginação permite acontecer, um mundo que o dinamarquês Hans Christian Andersen também criou por meio de histórias como a do patinho que é feio, do soldadinho de chumbo que é valente, da menininha que é do tamanho de um polegar. Para lembrar que há 208 anos esse escritor nasceu, comemora-se no dia dois de abril o Dia Internacional do Livro Infantil.
Nós também temos o nosso “Hans Christian Andersen”. Quem nunca ouviu falar de José Bento Renato Monteiro Lobato? O dia de seu nascimento, 18 de abril, foi adotado no nosso país como o Dia Nacional do Livro Infantil. Uma homenagem mais que merecida, afinal, ele soube com brilhantismo estimular esse mundo fantástico por meio de suas histórias. Além de incentivar a imaginação, seus livros retratam de uma maneira lúdica inúmeras características do ser humano e abordam conteúdos como astronomia, história, português, fábulas e literatura, matemática, geologia e até filosofia, um ensinamento a cada aventura…
Qual criança ou adulto nunca se identificou com seus personagens? Quem nunca foi um pouco Emília? A boneca tagarela, que não pede, ordena! Que é obstinada, curiosa, dominadora e muitas vezes birrenta… Quem não teve um pouco ou muito do Visconde de Sabugosa? Sempre servil, sábio e nobre… E a tia Anastácia, quem nunca quis perder-se naquele colo farto e carinhoso e provar suas guloseimas? E sem falar na vovó preferida, compreensiva, sensata e carinhosa, Dona Benta, e em Narizinho e Pedrinho, aventureiros, corajosos, inteligentes, criativos e muito amados, como toda criança gostaria de ser…
O sítio do picapau amarelo é o retrato da infância desejada! Muito espaço para explorar e brincar, muita interação com os animais e com a natureza, mil e uma aventuras e desafios a vencer. Um estímulo ao fantástico que toda criança deve ter e que nós adultos precisamos resgatar de vez em quando. Pois, com os anos, vamos nos esquecendo do nosso primeiro “era uma vez”, um tempo indefinido, uma porta mágica que nos desconecta de tudo que a gente entende como real.
Era uma vez um adulto que queria ser menino…
Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.