Busca
-
Mais Recentes
Grande intelectual marxista e amante do jazz. Assim pode ser definido o historiador britânico Eric Hobsbawm, que morreu nesta semana, aos 95 anos, depois de uma longa pneumonia que o manteve internado por meses em Londres. Ele era considerado um dos mais importantes historiadores do século 20, autor de mais de 30 livros traduzidos em todo o mundo.
Hobsbawm escreveu uma série de livros sobre a história ocidental. Entre seus títulos mais importantes, que marcaram gerações de historiadores e cientistas políticos, estão A Era das Revoluções, Era do Capital, A Era dos Impériose Era dos Extremos. Esse último, lançado em 1994, na Inglaterra, tornou-se uma das obras mais lidas e indicadas sobre a história recente da humanidade. Nela, ele analisa os principais fatos de 1917 – fim da Primeira Guerra Mundial e ano da Revolução Russa – até o fim dos regimes socialistas da ex-União Soviética, em 1991, e dos países do Leste Europeu.
Porém, o aspecto que pretendo ressaltar nesta homenagem a esse grande intelectual é a sua paixão pelo jazz — paixão que compartilho. Diferente de mim, que apenas aprecio muito, ele era grande conhecedor de jazz. Escreveu artigos sobre o tema, assinando como Francis Newton para a revista New Statesman. Publicou um clássico estudo sobre o assunto: “História Social do Jazz”, cujo pseudônimo usado foi uma homenagem ao trompetista de Billie Holiday, que era comunista. Quem escreveu o prefácio foi Luís Fernando Veríssimo, e, para ele, o livro “dá a justa atenção ao jazz como a criação revolucionária de uma raça submetida a certas circunstâncias históricas, e à importância dessas circunstâncias na sua expansão, e nas suas tragédias, mas dá mais atenção ao contexto maior, à industrialização e às transformações nos padrões de consumo de brancos e pretos, à relação do jazz com a indústria de discos e de espetáculos, com seus popularizadores e cultores”.
Hobsbawm enxerga o jazz como uma criação revolucionária dos negros e aponta a música como elemento de resistência às circunstâncias históricas às quais os negros foram submetidos. E jazz é isso: é improviso, é criação, é catarse. E por isso eu o acho tão apaixonante. Os jazzistas estão sempre procurando novos sons, construindo e desconstruindo as melodias. É fascinante…
A música fascina, o jazz fascina. Ouvir uma big band de jazz ou a linda voz de Billie Holiday arrepia coração, alma e mente. A beleza e a harmonia das melodias causam uma explosão de sensações, da serenidade à excitação. Sei que é difícil descrever o que se sente ao ouvir uma bela música, assim como é impossível descrever uma pintura de Picasso ou Monet. Melhor mesmo é ver, ouvir e ter suas próprias conclusões. Por isso, diferentemente dos outros textos, hoje não termino com palavras…
http://www.youtube.com/watch?v=zdr1frYyhDk
http://www.youtube.com/watch?v=4P0hG3sD0-E&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=HkjebnjWj4g&feature=related
Anoushe Duarte Silveiraé brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em coautoria, selecionados em concursos literários.