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“Frida Kahlo, a deusa tehuana”


É um monólogo livremente inspirado no diário e na obra da pintora mexicana, que desconstrói o mito para apresentar uma Frida mais humana, bem diferente da figura pop e ícone gay na qual foi transformada no mundo inteiro. De 6 a 28 de maio, no Centro Cultural Parque das Ruínas, em Santa Teresa.

Foto: © Renato Mangolin

Alguns artistas ultrapassaram a popularidade adquirida com seu trabalho e tornaram-se sua melhor arte. Frida Kahlo pintou sua própria face um sem número de vezes no corpo de uma obra intensamente auto-referenciada. Teatralizou a sua própria existência, foi a expressão maior de luta e superação mesmo trazendo consigo as maiores dores – físicas e existenciais. No lugar do luto, vestiu-se de cores.

Com direção de Luiz Antonio Rocha e atuação de Rose Germano, o monólogo “Frida Kahlo, a deusa tehuana” é livremente inspirado no diário e na obra da pintora mexicana, fragmentos da vida e do pensamento de uma mulher à frente do seu tempo. Nesta encenação, diretor e atriz desconstruíram o mito, construindo uma Frida humana, bem diferente da figura pop na qual foi transformada pela grande mídia no mundo inteiro. Por onde passou o espetáculo obteve grande sucesso de público e crítica, além do reconhecimento internacional com destaque no principal Jornal do México “El Universal” e na TV Mexicana.

Conocida internacionalmente sobre todo por su rol de pintora, Frida Kahlo acaso adquiere su dimensión más humana al ser representada en un notable monólogo por Rose Germano, actriz brasileña que la encarna en la obra “Frida, la diosa tehuana”, éxito de cartelera en esta ciudad.” (trecho da reportagem do jornal El Universal – https://youtu.be/spqxinbTTks)

A montagem do espetáculo foi longa e incluiu uma viagem de Rose e Luiz Antônio ao México, visitando a cidade do México, Oaxaca, Teothihuacan, na qual encontraram a Frida que queriam montar. A pintora que transformou a dor em arte estava despida para dar vida à deusa tehuana.

Tudo o que é óbvio sobre Frida, eu excluí da dramaturgia. Queria justamente algo que não estivesse nos registros oficiais da história, que mergulhasse no sentimento mais profundo de uma mulher que queria ser mãe e não conseguiu, que era frágil e, ao mesmo tempo, forte e determinada. Colocamos o inédito, o que as pessoas sequer imaginam, como a sua relação com os médicos e a descoberta da colecionadora de arte Dolores Olmedo”, adianta Luiz Antonio Rocha.

A peça abre com o prólogo de Dolores Olmedo Patiño, marchand que possui a maior coleção de Frida Kahlo e Diego Rivera no mundo. Responsável por preservar e difundir o acervo do casal. Dolores e Frida nunca foram amigas; duas mulheres apaixonadas pelo mesmo homem, uma colecionadora de arte, a outra a expressão da própria arte.

Ao falar sobre o que a inspirou a viver Frida Kahlo no teatro, Rose comenta que “há uma similaridade entre as culturas mexicana e brasileira, especificamente a nordestina, em que estão as minhas raízes. Sou de Riacho do Meio, uma cidadezinha do interior da Paraíba. Foi aí que me inspirei, nesse povo guerreiro, nas histórias de mulheres cheias de vida e coragem.” E sobre porque reviver Frida hoje, Rose diz que “a importância de reviver essa história está na autenticidade da mulher à frente do nosso tempo. Frida é a desmedida das coisas, está fora dos padrões estabelecidos. Viver Frida é encarar a vida e a morte com a mesma grandeza.”

A peça volta em cartaz com uma novidade, o diretor resolveu incluir uma nova cena com a carta que Frida escreveu ao presidente do México, uma crítica ferrenha que vai de encontro com o momento atual: “Há uma coisa que não está escrito em nenhum código; é a consciência cultural de um povo. A consciência cultural de um povo, senhor presidente, não permite que a Capela Sistina de Michelangelo seja transformada num prédio de apartamentos, que a Grande Esfinge do Egito seja demolida para construção de uma praça pública, que a Pirâmide do Sol, erguida pelos Maias, seja adulterada e transformada num mosaico de pedras(…) Sei que a lei não garante como deveria a propriedade artística de ninguém, ela é e sempre foi flexível(…)”

Em cena, Rose Germano é acompanhada pelo músico Eduardo Torres, que toca violão e realejo.

O título do espetáculo é uma referência de uma mulher à frente do seu tempo

Enquanto as mulheres de seu tempo seguiam as tendências europeias, Frida optou por um traje essencialmente mexicano. Exaltando a sua cultura, vestia-se de Tehuana, traje típico da região de Istmo de Tehuantepec no México, local onde as mulheres indígenas dominaram o mercado, lutando pela igualdade de direitos com os homens. Frida Kahlo adotava o vestido tradicional de Tehuana como uma declaração de solidariedade com estas mulheres. Sua luta e  autenticidade a tornou um mito em todo o mundo.

Todas as peças que compõem o figurino do espetáculo são autênticas, compradas em antiquários e artesãos indígenas da cidade de Oaxaca.

Trilogia Corpo e Espírito 

“Frida Kahlo, a deusa tehuana” é a primeira parte da trilogia Corpo e Espírito na pesquisa que Luiz Antônio Rocha vem desenvolvendo sobre o sagrado na arte. Os dois monólogos seguintes serão sobre os pintores Francis Bacon (A mutilação do corpo) e Kandinsky (O espiritual na arte).

Sobre o diretor e a atriz

Diretor de extrema sensibilidade e colecionador de sucessos em  espetáculos  como “Uma loira na lua”, “Eu te darei o céu” e “Brimas”, ganhador de dois Prêmios Mambembe e indicado ao Prêmio Shell, Luiz Antonio Rocha em “Frida Kahlo, a deusa tehuana”, desconstrói o mito para falar da mulher, da importância de reinventar eternamente o espaço que ela ocupa no mundo, da necessidade de refletir sobre o amor, a arte e as escolhas que faz ao longo da vida.

Atriz com formação em Artes Cênicas pela UNIRIO e Cinema pela Universidade Estácio de Sá, Rose Germano sempre procurou aprofundar a sua arte e conduzi-la para um teatro de referências. Mergulhou no universo de Shakespeare, Brecht, Plauto, mas foi em “Frida Kahlo, a deusa tehuana” que a atriz encontrou o seu grande desafio.

“Luiz Antonio Rocha impõe à cena uma dinâmica essencialmente corajosa. Afora o fato, naturalmente, do encenador criar marcas muito expressivas e explorar com grande sensibilidade todas as possibilidades da bela cenografia de Eduardo Albini.” (trecho da crítica de Lionel Fischer)

“Impressiona o ritmo impresso pela direção de Luiz Antonio Rocha. Não há preocupações com o silêncio ou com o preenchimento das lacunas. Tudo é feito com tanta beleza que nossa sensibilidade fica à flor da pele.” (trecho da crítica de Renato Mello)

“Rose Germano atinge a alma de Frida, numa mutação silenciosamente avassaladora e sem jamais perder a delicadeza. Trata-se de uma das mais pungentes, viscerais e impressionantes atuações que tive a oportunidade de assistir neste ano.” (trecho da crítica de Renato Mello)

Ficha Técnica

Dramaturgia: Luiz Antonio Rocha e Rose Germano
Encenação: Luiz Antonio Rocha
Atuação: Rose Germano
Músico: Eduardo Torres
Iluminação: Aurélio de Simoni
Cenário, Figurinos e Direção de Arte: Eduardo Albini
Trilha Sonora: Marcio Tinoco
Direção de Movimento: Norberto Presta
Operador de Luz e Som: Alexandre Holcim
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Fotos: Renato Mangolin e Carlos Cabéra
Realização: Espaço Cênico Produções Artísticas

Sinopse

Monólogo livremente inspirado na artista mexicana Frida Kahlo, fragmentos da vida e do pensamento de uma mulher à frente do seu tempo. O espetáculo desconstrói o mito, construindo uma Frida humana, bem diferente da figura pop na qual foi transformada.

Serviço

“Frida Kahlo, a deusa tehuana”
Centro Cultural Parque das Ruínas
Rua Murtinho Nobre, 169, Santa Teresa, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2215-0621
Temporada: 6 a 28 de Maio. Sábado às 19:30h e Domingo às 19h
Ingresso: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Gênero: Drama
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos

Atendimento à Imprensa

Ney Motta | contemporânea comunicação
assessoria de imprensa – Tel. (21) 98718-1965 e 2539-2873

Fonte: Ney Motta [email protected] em 24/04/2017.