Sempre na escola, artigo de Anoushe Duarte Silveira.
Este mês comemoramos o Dia da Criança e o Dia do Professor. Homenageamos os pequenos de hoje, a criança que fomos um dia e também aqueles que tanto contribuíram para entendermos a vida, que nos guiaram com toda paciência e amor. Lembrei-me de uma palestra que assisti do renomado escritor paulista Ignácio de Loyola Brandão. Na verdade, não foi uma palestra, poderia dizer que foi a crônica da crônica… Ele nos deleitou com suas memórias deliciosas de uma infância nos anos 40, cheia de imaginação, ingenuidade, pureza. Torcemos para que a vida brinde nossos meninos com essas características.
Entre as mil e uma frases interessantes que o escritor disse, marcou-me o momento em que ele se referiu ao encontro que teve com sua professora do primário: “Nós dois vivemos muito e continuamos na escola”. Loyola contou que enviou um exemplar de um livro que publicou para a professora que ainda vive em sua terra natal (Araraquara/SP) e ao visitá-la perguntou o que achou. Ela disse: “É, tem que arrumar umas coisinhas”, ou algo similar. Ainda o vê como aluno. Ambos viveram muito e continuam na escola…
Ainda referindo-se à professora, ele lembrou que, na escola, sem as metodologias de hoje, ela estimulava a imaginação. Pedia aos alunos que escrevessem o que vissem em seu cotidiano e depois construíssem redações. Ela sempre lia uma que considerasse a melhor e os coleguinhas davam a nota. Várias vezes ele afirmou que essa professora estava e está à frente de seu tempo.
É gostoso ouvir de pessoas que já viveram um bocado considerável que ainda estão na escola. Penso que, se realmente encararmos esta vida como uma escola, ela passa menos sofrida. E se tivermos a humildade de nunca acharmos que somos melhores do que os que estão começando, já trazemos na bagagem uma grande lição!
Esta vida é mesmo uma escola e as provas são diárias. Se não aprender direito, mais pra frente a vida te aplica um teste surpresa. Muito pior, porque te pega despreparado. Melhor aprender no primeiro teste…
Tem gente que gosta mais da matemática da vida, é pura razão. É isso por isso e pronto! Eu não. Identifico-me com as ciências humanas, não gosto de matemática, prefiro a poesia dos porquês. É claro que não obtemos respostas absolutas, muito menos verdades, mas em se tratando de gente, nada é absoluto, não é mesmo?
Gosto de aprender com gente: meus companheiros da carteira ao lado, da sala vizinha ou da turma mais distante, ainda que seja do jardim. Como a turminha do jardim ensina… E muito! E são humildes, nunca acham que já sabem, diferentemente dos adultos sempre estão insistindo nos porquês…
Aprender com gente, com os erros das gentes, com os nossos erros… Avançando de uma classe a outra para no final ainda termos uma única certeza: ainda continuamos na escola e há sempre muito a se aprender. Parabéns às indagadoras crianças e aos batalhadores e persistentes professores de todas as épocas!
Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em coautoria, selecionados em concursos literários.