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Valença era habitado na época pelos índios Coroados que dominavam toda a zona compreendida entre os rios Paraíba do Sul e Pretos.
Coroados é uma denominação geral dos portugueses para todas as tribos que usavam cocares em forma de coroa.
O esgotamento do ouro nas Minas Gerais causou um forte fluxo migratório de mineiros para ocupação das terras virgens existentes no vale do rio Paraíba do Sul. Entretanto, as tribos de índios viviam nômades na região geravam insegurança entre os proprietários das sesmarias que eram doadas em suas terras.
Uma modesta capela dedicada a Nossa Senhora da Glória foi construída no principal aldeamento de índios Coroados, o qual deu origem à atual cidade de Valença. É uma cidade com um grande potencial voltado para a área de ecoturismo, tendo como principal ponto deste a Serra da Concórdia, que encontra-se a sudoeste da cidade e está situada entre os vales dos rios Preto e Rio Paraíba do Sul.
É a única região que possui duas Unidades de Conservação públicas acrescendo de uma privada, sendo elas: Parque Natural Municipal do Açude da Concórdia e Estadual da Serra da Concórdia, o Santuário de Vida Silvestre da Serra da Concórdia e a Serra dos Mascates. Há também o Ronco DÁgua, um balneário com cachoeira natural.
Possui uma festa tradicional nomeada de Festa da Nossa Senhora da Glória, no mês de agosto, para homenagear a padroeira da cidade.
Além do contato com a natureza, é também uma cidade histórica cheia de cultura com várias das Fazendas do Ciclo do Café, podendo ser visitadas aproveitando assim o dia; podemos observar isso como uma de suas atrações turísticas, tais como: Casa Léa Pentagna, Catedral de Nossa Senhora da Glória, Praça Visconde do Rio Preto, Praça XV de Novembro, Museu da Arte Sacra da Catedral, Museu Capitão Pitaluga, Museu da Antiga Santa Casa de Misericórdia, Prédio da Câmara Municipal de Valença, Teatro Rosinha de Valença e a Igreja Nossa Senhora do Rosário. No Centro de Valença, ainda possui diversas atrações e atrativos turísticos nos arredores e no conhecido distrito de Conservatória.
Valença possui 5 Distritos:
Conservatória
Seu nome primitivo era Santo Antônio do Rio Bonito. No século XIX, o desenvolvimento das terras na interlândia do Estado do Rio, teve a sua principal base no crescimento da agricultura, começando pela cultura da cana-de-açúcar e, principalmente, o plantio do café. Na aldeia de Santo Antônio do Rio Bonito, em conseqüência desse desenvolvimento agrícola, foi criado em 1824 o curato, que era chefiado por um vigário (cura).
Segundo os historiadores, a aldeia dos índios Ararís teve a sua organização oficializada em 1789, no vice-reinado de D. Luiz de Vasconcellos, no entanto, só em 1824, uma sesmaria de terra, que compreendia uma légua quadrada, foi doada aos índios e assim foi criada Conservatória, que significa o Registro dos Índios, tal qual um cartório, termo esse que até hoje é usado em Portugal, como sendo o registro de pessoas e fatos. Depois do declínio do café, Conservatória passou a ser procurada para tratamento de saúde, por possuir um bom clima. Hoje sua economia baseia-se na agropecuária e no turismo.
Conservatória, por ser um local de tradição em serestas e serenatas, tem na maioria de suas casas, afixadas na fachada principal, uma placa com o nome e autoria de uma música de seresta, escolhida pelo próprio morador. Esta placa é colocada durante à noite, com uma cerimônia que começa com a saída dos seresteiros do Museu à casa, cantando pelas ruas músicas de serenata. Enquanto a placa é colocada, canta-se a música. Depois os seresteiros e visitantes entram casa adentro e são recepcionados pelo dono com coquetel e festa.
Santa Isabel
A origem de Santa Isabel do Rio Preto remonta à primeira metade do século XIX, quando da expansão da cultura cafeeira no Vale do Rio Preto.
Dado o isolamento em que viviam os moradores e agricultores da parte norte da Freguesia de Santo Antonio do Rio Bonito, nas proximidades do rio Preto, os principais fazendeiros da zona tomaram a iniciativa de erigir um “distrito de paz”, quando então era “impraticável a boa administração da justiça” naquela zona.
Por iniciativa do capitão Anastácio Leite Ribeiro, foi criada por lei Provincial, em 1849, o curato de Santa Isabel do Rio Preto, freguesia em 1851 e atual distrito de Valença, em 1892.
Em meados do século XIX, quando do apogeu da produção do café no vale do Paraíba, é construída pelo governo provincial a estrada “Presidente Pedreira” que objetivava ligar a localidade de Macacos (atual Paracambi) ao sul de Minas, passando por Conservatória, Santa Isabel e Santa Rita de Jacutinga. Não tardou e o pequeno arraial tornou-se parada obrigatória para pouso dos tropeiros que por ali passavam vindos do sul de Minas. Tanto movimento, proporcionou um rápido crescimento do comércio local. A situação melhorou ainda mais com a chegada em 1889 dos trilhos da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que ligava o progressivo distrito valenciano ao então povoado de Barra do Piraí, na época, o mais importante entroncamento ferroviário do Brasil! Santa Isabel torna-se então uma das mais pitorescas vilas imperiais da região de Valença.
Nos últimos decênios do século XIX, a produção cafeeira do vale entra em processo de decadência e inevitavelmente Santa Isabel tem seu crescimento retraído. No alvorecer do século XX, o povo isabelense tem seu progresso retomado. O gado substitui o café e o distrito torna-se um dos maiores produtores de leite da região, situação esta que perduraria até os anos sessenta, quando da erradicação dos trilhos da Estrada de Ferro.
O trem que alavancou o progresso de Santa Isabel é o mesmo que levou embora as possibilidades de desenvolvimento. O isolamento é inevitável. Graças a esse isolamento, o povo valenciano tem hoje no seu terceiro distrito uma parte de sua história preservada.
Desta vez, não são os imponentes casarões neoclássicos, hoje tão procurados pelos turistas, mas o “jeito simples de ser do isabelense”. Seja na sua calma, como se o tempo não fizesse diferença, nos “causos” do pessoal reunido na praça da igreja. Nos olhares curiosos da mulher na janela, nos doces de compota como se fazia no século XIX. Na criançada brincando no terreiro, os cavalos nas portas das vendas enquanto seu dono dá uma “bebericada” antes de ir pra casa. Na comunidade quilombola de São José da Serra, com seus cantos e danças de raízes africanas. Tudo isso tendo como cenário a Serra da Beleza, banhada pelo tranquilo rio São Fernando.
Pentagna
Local de clima ameno e temperado o distrito de Pentagna está localizado a 14km do centro de Valença, junto a estrada que liga Valença a Rio Preto em Minas Gerais.
Com cerca de 500 metros de altitude o distrito possui como principais atrativos a cachoeira do Rio Bonito, a Igreja de São Sebastião do Rio Bonito e a antiga estação ferroviária da Central do Brasil.
Igreja de São Sebastião do Rio Bonito – A matriz de Pentagna foi construída em 1859, em terras desmembradas da fazenda S. Joaquim dos Ubás. Foi constituída a irmandade de S. Sebastião do Rio Bonito a fim de prover a matriz da paróquia. A imagem de São Sebastião veio de Portugal em 1859, é uma peça de madeira em tamanho natural e perfeitas formas humanas. Recentemente a matriz passou por uma reforma geral sendo reinaugurada em 25 de março de 2007.
Cachoeira do Rio Bonito – Logo na chegada do distrito nos deparamos com a bela cachoeira que é cruzada por uma ponte que dá acesso ao centro de Pentagna. O Rio Bonito desce, exatamente na entrada de Pentagna, por entre pedras formando corredeiras ruidosas que, aproximadamente 30 metros abaixo forma um remanso onde se pode chegar por uma trilha, beirando o rio, em ótimas condições.
Estação Ferroviária de Pentagna – Logo na entrada do distrito a antiga estação ferroviária de Pentagna marca o saudoso tempo das Marias-fumaças da estrada de Ferro Central do Brasil que fazia a ligação de Valença com Minas Gerais via Rio Preto. A estação de Pentagna foi aberta em 1880 com o nome de Rio Bonito. A partir de 1910, a estação passou para a administração da Rede de Viação Fluminense da EFCB, no agora ramal de Jacutinga. Nos anos 1940, a estação teve seu nome alterado para Vila Pentagna, mas, no dístico, até hoje aparece apenas Pentagna. Em 1972, o trecho foi extinto e a estação desativada. Em Pentagna o grande jornalista David Nasser possuía uma residência, que ainda existe, junto a colônia de férias dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, bem como uma outra, junto a cachoeira, que ainda hoje pertence a seus familiares.
Parapeúna
O distrito de Parapeúna está localizado ao norte do Município de Valença, Estado do Rio de Janeiro, na Região Sudeste do Brasil. É o segundo menor distrito com somente 147Km2 , que abrange 11% da área total, sendo o menor em população onde concentra 2.000 habitantes, 2,7% da população do Município. A densidade demográfica é de 12,04 Km2.
Os Municípios limítrofes deste distrito são: ao norte, Rio Preto; ao sul, os distritos de Pentagna e Conservatória; a leste o Estado de Minas Gerais e a oeste, Pentagna.
O distanciamento do distrito de Parapeúna ao distrito sede (Valença) é de 28 Km e ao distrito vizinho, Pentagna a 15 Km por estrada de asfalto, já da capital do Estado do Rio de Janeiro é de 189 Km.
Clima – Uma característica marcante em todo o Município, inclusive o distrito de Parapeúna, é o excelente clima do tipo tropical de altitude com temperaturas amenas, e muito saudável devido à baixa umidade relativa do ar. Parapeuna apresenta estações climáticas bem definidas: uma de maior precipitação pluviométrica, e outra de estiagem. A estação das águas ocorre nos meses mais quentes, de dezembro a fevereiro, quando a temperatura média é de 26ºC. Nos meses mais frios, de junho a agosto, época da estiagem, a temperatura média é de 15ºC.
Igreja de Santa Therezinha do Meninos Jesus – O distrito de Parapeúna tem como principal construção à capela da padroeira Santa Therezinha do Menino Jesus, em estilo neogótico. Em 28 de outubro de 1929, deu-se a fundação do curato de Santa Therezinha desmembrada da Paróquia Santo Antônio do Rio Bonito, Conservatória. Em 17 de novembro deste mesmo ano era inaugurada oficialmente a paróquia com bênção da pedra fundamental pelo Bispo Diocesano Dom André Arcoverde. A Igreja foi construída com a ajuda da comarca municipal de Valença, em terreno doado pela senhora Maria Lúcia Assis e Silva, onde se construiria também um cemitério. As obras se iniciaram em 17/05/1930 e seu término deu-se em 30/09/1935 com solene inauguração. O primeiro pároco foi Pe. Manoel Formiga e logo substituído pelo Pe. Antonio Fernandez, ambos da ordem de Santo Agostinho. Durante quarenta anos (1953-1993) a paróquia esteve sob os cuidados pastorais de Padre Ricardo Shauf. Desde 1999 é pároco o Pe. Luiz Fraga Magalhães.
Estação Ferroviária Margarida Maria Leite – A estação de Rio Preto foi aberta em 1880, como ponta de linha da E. F. Valenciana. A linha corria nesse trecho na margem sul do rio Preto, que divide os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Curiosamente, a estação tinha o nome da cidade que estava em solo mineiro, do outro lado do rio, a cerca de cem metros apenas da estação. A cidade de Rio Preto era alcançada por uma ponte. A estação ficava em solo fluminense, no município de Valença, próxima à fazenda Santa Fé . Nos anos 40, o nome da estação foi alterada para Parapeúna, nome do atual distrito do qual a vila é sede. A estação foi incorporada, juntamente com a ferrovia Valenciana, pela Central do Brasil em 1910, passando a fazer parte do ramal de Jacutinga da Rede de Viação Fluminense, que seria logo prolongado, unindo a Linha Auxiliar com Santa Rita de Jacutinga, já em Minas Gerais. Em 1972, o trecho foi extinto e a estação, desativada.
Barão de Juparanã
Conhecida no século XIX como Desengano, Juparanã deve seu nome atual ao barão que foi um de seus grandes beneméritos. O termo Juparanã é de origem indígena e quer dizer, em tupi guarani, Rio Grande. Esta homenagem feita ao Barão de Juparanã, filho do Marquês de Baependy, que era proprietários de várias fazendas nas margens valencianas do Rio Paraíba do Sul. A principal, onde a família viveu os áureos tempos do café, foi a Santa Mônica onde faleceu o Duque de Caxias.
Próximo ao centro do distrito encontra-se outra construção histórica. É o solar da antiga Fazenda Monte Scylene que pertenceu a Princesa Isabel. Por volta de 1886, a princesa e seu marido o conde D’Eu criaram nesta propriedade um internato de menores que funcionou até pouco tempo. Adquirida pelo Estado a propriedade foi adaptada e transformou-se na primeira clínica pública de recuperação de dependentes químicos do interior do Estado.
Entre os eventos, a Festa de São Jorge, no final do mês de abril, é famosa pela procissão a cavalo que atrai centenas de cavaleiros e a festa da padroeira Nossa Senhora do Patrocínio.
Possui área de 66,43 km² e está a 24 km de distância da sede do município.
Fazenda Santa Mônica – A história da Santa Mônica começa com o Manoel Jacinto Nogueira da Gama, que recebeu de D. João VI enorme extensão de terras pela margem esquerda do Rio Paraíba do Sul. A sesmaria recebida era fora dos padrões normais da época e compreendia cerca de 10.800 alqueires geométricos, mais de 520Km². Para se ter uma idéia melhor do tamanho dessa área, basta dizer que equivalia a 12 sesmarias de 1 légua em quadra, representaria aproximadamente um retângulo de 79 Km por 6,6.
Santa Mônica, a maior fazenda do Marquês de Baependi e uma das mais importantes da região, foi fundada na segunda década do século XIX e seu nome foi uma homenagem à Marquesa de Baependi, Francisca Mônica Carneiro da Costa Nogueira da Gama. Com o falecimento do marido as fazendas passaram à Marquesa. Com a morte dela e, em 1876, do Barão de Juparanã (viúvo e sem filhos), seu herdeiro único foi seu irmão o Barão de Santa Mônica que entre outros bens, recebeu a Fazenda Santa Mônica, na época com 580 alqueires.
Em 07 de maio de 1880 morreu nesta fazenda o Marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, sogro do Barão de Santa Mônica. Em 1884, como aconteceu com tantas outras propriedades ao final do ciclo cafeeiro, a fazenda estava hipotecada ao Banco do Brasil junto com outros bens de família para garantir uma dívida de 436 contos de réis. Em 1912 a fazenda passa do Banco do Brasil para o Governo Federal, através do Ministério da Agricultura.
O Solar da Santa Mônica, tombado pelo Patrimônio Histórico, é acessado por dois grandes portões e por dois caminhos laterais a partir dos fundos. pela sua frente, os antigos e enormes terreiros de café hoje estão arborizados e guarnecidos pelas Palmeiras Imperiais. Pela entrada que passa pela esquerda do casarão, pode-se observar os muros de arrimo de pedra com 5 metros de altura, contendo o morro lateral e deixando livre, segura e plana a área onde foi construído o solar. Ainda por este lado, escadarias de pedra lavrada dão acesso a um platô superior onde localizava- se construções de serviço do conjunto agrícola.
O Solar da Santa Mônica, em formato de “U”, é grandioso e possui dois andares, não foi construído encostado em barranco como tantos outros e sua posição é solta no meio do pátio. Ainda mantém as linhas originais e obedece ao estilo mais representativo dos casarões do café, com correr de janelas em toda a volta do segundo andar e portas no primeiro. Possui mais de 80 cômodos, 105 janelas, 144 portas e seis escadas internas, tudo suportado por paredes externas com 1 metro de espessura no primeiro piso.
As linhas sóbrias do casarão são arrematadas, na entrada principal, por um alpendre com estrutura de ferro fundido que, por atingir os dois níveis da casa, cria uma sacada coberta em frente às três portas do salão principal do 2º piso. Na ala lateral esquerda do primeiro piso ficavam os dormitórios dos escravos que atendiam aos serviços domésticos do solar. Por isso não há portas nesta extensa lateral térrea e sim 3 pequenas janelas gradeadas. Já no segundo pavimento existem 11 janelas nesta fachada. No interior, totalmente, desprovido de móveis e objetos de arte que foram leiloados, os grandes salões sociais, outras salas e quartos comunicam-se entre si, no modelo típico da arquitetura da época, embora existam, também corredores laterais. Na parte superior direita ficam as salas e dormitórios. Pela saleta de entrada do térreo depara-se com duas ricas portas largas de madeira trabalhada com vergas em arco pleno em cujas bandeiras, de ferro fundido trabalhado, estão “bordadas” as iniciais do Marquês de Baependi. Por trás delas abre-se a grandiosa escadaria de madeira em curva de acesso aos salões do segundo piso e, por cima dela, uma grande clarabóia favorece a iluminação.
Fonte: Guia do Turismo Brasil e Prefeitura de Valença.