Hospital Moinhos de Vento implanta sistema inédito no país para reaproveitamento de resíduos
Iniciativa reduz impactos ambientais, gera economia e abre postos de trabalho na instituição em Porto Alegre
As 2 mil toneladas anuais de resíduos gerados no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, passaram a ser tratadas e reaproveitadas em subprodutos na própria instituição. Próximo ao bosque com 800 árvores, que corresponde a 10% da área total do complexo hospitalar, foi inaugurada recentemente a Central de Transformação de Resíduos.
Na unidade ocorrem a coleta, a triagem e o tratamento do que foi descartado. O resíduo passa a ter um destino ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. Até então, o Moinhos de Vento adotava uma prática usual no segmento, encaminhando tudo para aterros sanitários.
A área de Gestão Ambiental, liderada pelo gestor Rogério Almeida, identificou a possibilidade de realização da triagem do material com potencial de reciclagem, dos restos alimentares destinados para a compostagem e ainda a esterilização de resíduos infectantes – tudo no próprio hospital.
Para montar a estrutura, foram adotados sistemas existentes e consolidados em outros mercados. Na construção da unidade, que recebeu o maquinário para as diferentes etapas do processo, foi investido R$ 1,5 milhão. A nova unidade aprimorou a distribuição logística e os fluxos internos, facilitando os acessos e simplificando a movimentação. A central também abriu vagas diretas de emprego.
“Somos o primeiro no Brasil a aplicar este modelo industrial no segmento hospitalar com o devido alinhamento às legislações vigentes. Além do benefício ambiental, o projeto gera um grande impacto social e econômico. Também temos a certeza e a garantia quanto ao destino final dos resíduos”, destaca Evandro Moraes, superintendente administrativo.
A iniciativa já mostra vantagens para o ambiente. Papéis e papelões descartados são encaminhados para transformação em papel higiênico, que retorna para uso nas áreas administrativas e de circulação da instituição. Materiais plásticos regressam na forma de sacos de lixo. Recipientes pet são enviados a uma indústria que os transforma em vassouras.
Com o objetivo de descontaminar resíduos infectantes, foi implantada autoclavagem, que eleva a temperatura acima de 130°C em um ambiente fechado. Depois de triturado e compactado, o material abastece um gaseificador que gera gás e aquece a água utilizada na instituição.
Para a compostagem dos restos alimentares, encontrou-se a alternativa de transformação em adubo orgânico. O composto é utilizado na horta que abastece a instituição com vegetais 100% orgânicos. Essa possibilidade também permitiu a parceria com uma cooperativa, que troca o adubo por arroz orgânico utilizado no preparo de alimentos no hospital.
“Essa preocupação e compromisso com a sustentabilidade ambiental do nosso meio remete o Hospital Moinhos de Vento a assumir em seus projetos, para o próximo ano, a certificação do hospital na norma ISO 14001. Isso nos estabelecerá na vanguarda de quem atua em benefício das novas gerações, ratificando assim nossa missão, que é cuidar de vidas”, conclui Evandro Moraes.
Em outubro, o Hospital Moinhos de Vento completa 90 anos. A instituição preserva sua história e cultura, sempre valorizando a renovação e a aposta no futuro. A constante busca pela qualidade permite a combinação da tradição, inovação e do compromisso com a sociedade. Entre os princípios que consolidaram a instituição como referência em práticas médicas, assistenciais e de gestão, está a preocupação com o ambiente. Por isso, um de seus pilares estratégicos tem esse foco.
Conheça ações ambientais já desenvolvidas pelo Hospital Moinhos de Vento:
Estabilizador de vazão reduz consumo de água
O dispositivo reduz e estabiliza o fluxo de água e gera economia no consumo. Todos os 2.200 pontos – como torneiras, duchas higiênicas e chuveiros – têm estabilizadores de vazão. Com o equipamento, o jato é direcionado, controlando o fluxo em até 50% em determinados pontos.
Economia de energia com lâmpadas de LED
Ações implementadas pela área de Engenharia e Manutenção resultam em significativa economia no consumo de energia elétrica. O edifício-garagem teve redução média de 23.000 kWh/mês. A substituição de lâmpadas fluorescentes por LED diminuiu em R$ 14 mil o custo mensal com luz.
Fonte: Claudia Paes – [email protected] , em 21/08/2017.