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Antigamente, criança não participava da conversa de adultos, precisava sair da sala nessas ocasiões e não opinava, apenas recebia as informações como verdades absolutas dos pais, avós, professores, dos mais velhos em geral. Os valores morais e éticos, antes somente transmitidos de pais para filhos, parecem seguir o fluxo contrário quando se trata de cuidar do meio ambiente. Eles vestiram a camisa do planeta e são verdadeiros fiscais da natureza.
Na minha casa, por exemplo, meu filho de apenas seis anos controla nosso tempo no banho, verifica se as torneiras estão fechadas enquanto escovamos os dentes e jamais joga lixo no chão. Não me lembro, na minha infância, de sermos tão preocupados com essas questões, não ao menos como hoje em dia.
Hoje, crianças recolhem óleo de cozinha usado para produzir sabão ou ser enviado a uma entidade para reaproveitar o produto. Os pequenos já sabem que, se jogado no ralo ou no lixo comum, poderá contaminar água, solo e facilitar a ocorrência de enchentes. O filho de um amigo planta árvores para compensar suas emissões de gases poluentes. Ele me explicou que existe um cálculo feito na internet que mostra quanto cada um polui e quantas árvores deve plantar para repor o estrago.
A juventude representa 30% da população mundial, conforme o capítulo 25 da Agenda 21. É mais do que necessário que participe e opine sobre as mudanças que ocorrerão em um mundo já herdado por eles com um enorme passivo ambiental. E é preciso intensificar e abordar com mais profundidade o tema nas escolas e nos lares com discussões sobre políticas ambientais, papel do governo e de cada um na busca de melhorias para o planeta.
A Rio + 20 encerra-se, após 10 dias de discussões, com um balanço positivo para o Brasil, mas negativo para as ONGs, pois consideram que faltou ousadia por parte das autoridades. Ousadia que não falta nos jovens. Eles e as crianças já estão aptos a firmarem seus próprios compromissos com a natureza, com mais credibilidade que muitos governantes. Cabe a nós, pais, aos educadores e governantes darmos as ferramentas para que possam continuar a lutar conscientemente por um mundo melhor. Esse pequenos ficais é que vão construir o verdadeiro futuro que queremos!
Anoushe Duarte Silveira é brasiliense, jornalista e bacharel em direito, pós graduada em documentário – com especialização em roteiros. Possui textos publicados em jornais e revistas e nos blogs http://www.amigas-da-leitura.blogspot.com/ e http://www.recantodasletras.com.br. Possui livros publicados em co-autoria, selecionados em concursos literários.